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Dom Walmor | Aposta antiga e nova

Reconhecer todos como irmãos e irmãs é antídoto contra a indiferença, o egoísmo e a concorrência predatória

O Brasil revela um contraste inquietante entre suas enormes possibilidades e graves lacunas sociais

O Brasil revela um contraste inquietante entre suas enormes possibilidades e graves lacunas sociais. Riquezas naturais e tantos outros recursos coabitam com a fome, a desigualdade e a infraestrutura precária. Subculturas e práticas que fragilizam o tecido social impedem avanços em educação, saúde, cultura e bem-estar. A política, que poderia ser caminho de solução, também sofre contaminações. Diante disso, impõe-se uma aposta antiga e sempre nova: a fraternidade.

A fraternidade responde ao anseio profundo do coração humano por comunhão e vida plena. Reconhecer todos como irmãos e irmãs é antídoto contra a indiferença, o egoísmo e a concorrência predatória. A família é a primeira escola dessa vivência, que gera o “ethos do cuidado”: acolher, partilhar, reconciliar. A pergunta bíblica “Onde está teu irmão?” desafia cada pessoa a assumir responsabilidade pelo semelhante.

Fundada na paternidade de Deus, a fraternidade sustenta princípios ético-morais favoráveis ao bem comum, inspira estilos de vida sóbrios, combate a ganância e impulsiona a solidariedade. Também orienta a economia e as relações sociais, hoje marcadas pela busca ilusória de segurança no consumo e no lucro. Como recorda o Papa Francisco, a fraternidade gera paz social ao equilibrar liberdade e justiça, responsabilidade pessoal e solidariedade. Descoberta, vivida e testemunhada, ela pode renovar a cultura e abrir caminhos reais para uma sociedade mais justa e humana.

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O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.

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