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Padre Samuel Fidelis | A vida pede propósito

É tempo de recordar que não estamos neste mundo a passeio; a direção dessa viagem chamada vida requer atenção e protagonismo

Padre Samuel Fidelis

Como passa rápido. Um mês tão promissor que começa com fogos de artifício e termina no susto. Venha a nós a consciência de que, dados os impostos de início de ano, neste “novo tempo”, estamos mais pobres. Lá vem o Carnaval, a festa e a folia, depois da qual o Brasil começa a engrenar.

Não estamos neste mundo a passeio. A direção dessa viagem chamada vida requer atenção e protagonismo. Uma vida que vale a pena ser vivida precisa de inspiração, propósito, compromisso.

As ilusões do nosso tempo é que nos enganaram, dizendo que vivemos neste mundo apenas para sermos felizes, que o segredo reside no amor próprio, que o mundo deve prestar continência às nossas “particularidades”. Tudo isso leva a uma grande perda de tempo.

É certo que, para os gregos, pensando em termos de Aristóteles, o fim último da existência humana, da ética, seja a felicidade. Mas ser feliz não pode ser um fim em si mesmo. A felicidade, parafraseando Maquiavel (se bem que ele nunca disse isso!), é um “fim” que só se justifica pelos meios. Não se pode ser feliz como quem escolhe um produto na gôndola do supermercado. A felicidade é nostalgia, é presença. Não é nem isto, nem aquilo. Acontece quando estamos distraídos. É… quase um quase!

Ninguém dá conta de amor próprio. Uma pessoa que se amasse a si antes dos outros se veria frustrada. Primeiro, porque o “eu” que nos habita está cheio de “nós” (aproveite o trocadilho!). A beleza do amor, em termos bíblicos e psicanalíticos, está no fato de que a gente ama porque falta. Só alguém com dívidas na própria infância vai saber a importância de ser uma boa mãe, um bom marido. Sair do Narciso para buscar o que nos sustente é uma boa definição de amor. E depois, há coisas em nós que não são amáveis. O bacana da vida é encontrar quem, apesar do que somos, ao nos amar apesar de nós, nos ensina a nos amar. Essa é a função de Deus, das mães, de um bom esposo.

O sujeito inaugurado pela modernidade, cujos dados pessoais são vendidos como commodities no capitalismo, perdeu o senso do coletivo, de bem comum. Nunca estamos sozinhos, nem nos lucros nem nos prejuízos. Somos feitos de outros.

Já é fevereiro. É tempo de recordar que não estamos neste mundo a passeio. A direção dessa viagem chamada vida requer atenção e protagonismo. Uma vida que vale a pena ser vivida precisa de inspiração, de compromisso, de ser “de-propósito”.

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Pró-reitor de comunicação do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade. Ordenado sacerdote em 14 de agosto de 2021, exerceu ministério no Santuário Arquidiocesano São Judas Tadeu, em Belo Horizonte.

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