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Dom Walmor | Realmar

Realmar-se é condição essencial para fortalecer o diálogo social, qualificar escolhas e a gestão de recursos econômicos e ambientais, construindo patrimônio social e herança para o futuro

Realmar corações e a economia é remédio contra a globalização da indiferença e fundamento para o nascimento de uma nova ordem social, comprometida com a dignidade humana

Realmar é a provocação feita pelo papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelho da Alegria, ao afirmar que os problemas do mundo não serão resolvidos sem enfrentar as causas estruturais da desigualdade social. A desigualdade é a raiz dos males sociais, e realmar a economia implica também corrigir os descompassos do coração humano. Trata-se de cultivar uma nova sensibilidade social e cultural, capaz de promover uma civilização melhor, à altura das transformações contemporâneas.

Os atuais cenários geopolíticos exigem novas compreensões e respostas. Sem um realmar, corre-se o risco de colapsar avanços e conquistas, enfraquecendo o compromisso comunitário indispensável à paz. Em sentido oposto, nacionalismos e autoritarismos individualistas geram desordem, conflitos e desrespeito às soberanias. Realmar-se é condição essencial para fortalecer o diálogo social, qualificar escolhas e a gestão de recursos econômicos e ambientais, construindo patrimônio social e herança para o futuro.

Vivemos um tempo de viragem histórica, marcado por avanços significativos, mas também por profundas precariedades. Embora seja possível garantir dignidade a todos, multiplicam-se crises, medos e exclusões. A inimizade e o individualismo aprisionam pessoas e culturas, conduzindo a escolhas equivocadas. Realmar a vida é resposta generosa e eficaz, inspirada no apelo do Papa Francisco por uma economia diferente: não à economia de exclusão, não à idolatria do dinheiro, não a um dinheiro que governa em vez de servir.

Uma reforma financeira orientada por sólidos princípios éticos exige mudança de atitudes dos líderes políticos, chamados a fazer com que o dinheiro sirva ao bem comum. Somente assim será possível responder aos anseios dos mais pobres, promover o desenvolvimento integral e construir uma solidariedade mais solidária. A idolatria do dinheiro gera desperdícios, desigualdades e exclusões; superá-la é urgente.

Inspirar-se nas primeiras comunidades cristãs, onde a solidariedade impedia a existência de necessitados, oferece luzes para o caminho da humanidade. Realmar corações e a economia é remédio contra a globalização da indiferença e fundamento para o nascimento de uma nova ordem social, comprometida com a dignidade humana.

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O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.

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