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CEO da Vallourec culpa chuvas por transbordamento em dique que interditou BR-040

Alexandre Lira falou à rádio Itatiaia que estrutura está em "perfeitas condições" e que houve recorde de chuvas na região

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Foto: Divulgação

Transbordamento em dique causou interdição da BR-040

O CEO da Vallourec, Alexandre Lira, afirmou que uma "chuva recorde" causou o transbordamento do dique Lisa, no último sábado (8), na mina Pau Branco, da empresa, localizada às margens da BR-040, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. 

"Foi consequência das fortes chuvas que aconteceram na região. Nas horas antes do deslizamento que aconteceu na base da pilha Cachoeirinha, havia chovido 190 milímetros, realmente um recorde para a região", disse o executivo.

No último sábado, parte da pilha Cachoeirinha cedeu e caiu dentro do dique Lisa, que não suportou o volume e transbordou. A lama que desceu do dique invadiu a BR-040 e arrastou carros e caminhões que passavam pelo local naquele momento. A rodovia ficou fechada durante 48 horas, até que a empresa comprovasse que a estrutura apresenta estabilidade. 

Em entrevista exclusiva à rádio Itatiaia, Lira afirmou que a estrutura está em perfeitas condições e que a empresa está em diálogo constante, tanto com a Via 040, concessionária da rodovia, como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e que é possível interromper o trânsito na rodovia em 50 segundos, caso haja uma situação semelhante.

Confira a entrevista exclusiva, realizada por Allãn Passos e Bárbara Vasconcelos: 

O que aconteceu no ultimo sábado?

Foi consequência das fortes chuvas que aconteceram na região. Nas horas antes do deslizamento que aconteceu na base da pilha Cachoeirinha, havia chovido 190 milímetros, realmente um recorde para a região. Com essa chuva, houve um deslizamento da base da pilha Cachoeirinha. O material que escorregou foi na dreção do dique Lisa, o que gerou o transbordamento do dique Lisa. Ele nao é uma represa, não tem nenhum tipo de rejeito lá, é simplesmente uma área para a coleta de água, chuva e sedimentos. O dique Lisa fez o que se esperava dele: quando houve o deslizamento, os sedimentos cairam no dique Lisa, ele transbordou e a água então foi para a BR.

A principal causa então foi o grande volume de chuvas? Isso não dava para ser previsto, mesmo que tenha havido um volume acima do normal. Foi algo acima de qualquer previsão que pudesse ser feita?

Pelo que li na imprensa, foram as chuvas mais fortes dos últimos 30 anos. A área onde ocorreu o deslizamento é uma área coberta de vegetação. A base da pilha não era mexida há mais de 30 anos. Com as chuvas, houve algum processo de erosão e o deslizamento, como a gente vê em várias encostas de BH e outras cidades.

Quando a gente fala em algum incidente envolvendo alguma mina em Minas Gerais, a tensão é muito grande. Como está a situação hoje da barragem da mina de Pau Branco?

A gente não tem barragem de rejeitos na Vallourec desde 2015. Fomos a primeira grande empresa mineradora a abolir o sistema de estocar rejeitos em barragem. Passamos, agora, para um processo de filtro prensa. Todos os rejeitos são filtrados, prensados e o que é estocado a seco, é o rejeito já com menos de 20% de umidade. Ou seja, a gente não tem barragem de rejeito de mineração. Tanto o dique Lisa como o da outra barragem da mina do Pau Branco, são para águas pluviais e sedimentos. Nós não temos nenhum tipo de rejeito, nem no dique Lisa, nem na outra barragem que fica no outro lado da montanha, que chama Santa Bárbara. A situação da barragem e do Dique Lisa, que conseguiu suportar todos os esforços, está íntegra. Isso já foi verificado pelas autoridades antes de liberar a BR-040. As operações da mina da Vallourec estão interrompidas até a conclusão das investigações mas, do ponto de vista de integridade dos nossos ativos, está tudo em perfeitas condições. 

A ANM [Agência Nacional de Mineração] pediu que fosse instalado um equipamento que monitore a barragem 24 horas por dia. Isso já está em funcionamento?

A gente já usava esse equipamento, que é um radar, olhando no fundo da mina e permite detectar qualquer movimentação, escorregamento de terra, a nivel de milímetros de previsão. Ele detecta e manda sinal para o telefone celular para as pessoas responsáveis pela operação. Instalamos um similar a esse, focando tanto no dique Lisa, como na base da pilha. A gente já conhece o equipamento, estamos habituados a trabalhar com ele. Então, qualquer movimentação de terra já manda o alarme para o nosso pessoal e, aí já entramos em contato com a Via 040 e o trânsito é interrompido. 

Ao transbordar, essa lama demora cerca de 3 minutos para chegar à via e a interrupção do trânsito ocorre em 50 segundos. Como é esse diálogo com a Via 040? 

Essa questão dos três minutos, comprovamos tanto para a Via 040, para a ANM e para o Governo de Minas Gerais em uma reunião. Até o governador Romeu Zema participou dessa reunião. Isso foi deixado bem claro, é um modelo que mostra isso. Vocês devem ter visto a imagem da onda que percorreu do dique Lisa é só cronometrar. Ela não atinge a BR em questão de segundos. Esses três minutos são mais que suficientes para interromper o trânsito. A BR 040 participou e concordou com todas essas medidas que a gente implementou. 

Dá para dizer que, hoje, ainda existe algum risco de que algo parecido possa acontecer?

Eu diria que nunca podemos exlcuir essa possibilidade. Agora, estamos muito mais preparados através do monitoramento. Além dos equipamentos, a Vallourec também está participando, a 040 e a PRF está fazendo o monitoramento do trânsito há pouco mais de 1 km da região onde houve alagamento, mas nós não acreditamos nisso.

O Govenro de Minas anunciou uma multa, de R$ 288 milhões. A Vallourec já foi notificada dessa multa. A empresa vai recorrer?

Nós fomos notificados da multa, estamos avaliando o teor do documento. Um ponto específico nós não concordamos, que é o da reincidência, mas está sendo avaliado pela área jurídica e área técnica.

A Comissão de Meio Ambiente da Assembleia recebeu uma denúncia de que a Vallourec estaria minerando em uma área que não é dela, em Nova Lima, e que poderia ter contribuído para o transbordamento do dique Lisa. Isso é verdade? 

Isso é totalmente inverídico. Não temos nenhuma atividade de mineração próxima ao dique Lisa. A única área licenciada pela ANM é a cava da mina. 

O Ministério Público deu prazo de 24 horas para que as mineradoras possam informar como está o monitoramento de suas estruturas. Isso se aplica à Vallourec? 

A nossa barragem antiga foi desativada em 2015 e já era construída à jusante, que é o método mais seguro. Mas, desde 2015, ela não está mais em operação. As outras barragens, que são duas, são para água pluvial e estão em constante monitoramento. 

A Vallourec entende que tem algum dano a reparar? Seja ao Estado, às pessoas que ficaram horas na 040 sem conseguir seguir viagem?

Eu preferiria não emitir minha opinião. Esse é um tema que está sendo discutido com os órgãos ambientais, o MP e a ANM. O que as partes acharem que é justo para indenizar, a Vallourec vai assumir a responsbilidade, deixando claro que não houve vítimas fatais. Uma pessoa teve escoriações e, prontamente, atendemos. E os animais de uma área de preservação do Ibama, a Vallourec tomou providência para realocá-los para outros locais. Tudo o que podíamos fazer, fazemos e continuamos fazer.

O que pode acontecer no pior cenário? Caso a barragem ou o dique se rompam?

A gente tem esse relatório. Na área de impacto, caso o dique Lisa se rompa, tinha uma família, a Vallourec já providenciou que essa família fosse realocada e, além dessa residência, que tinham 6 pessoas, tinha essa área do Ibama, onde alguns animais da nossa fauna silvestre viviam e providenciamos a realocação desses animais. São dois pontos críticos dentro da área de influência do dique Lisa, caso houvesse rompimento, o que não aconteceu. 
 

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