Protestos na França: Macron anuncia proibição de atos considerados 'ilegítimos'
Presidente francês recomendou que não haja protestos nos próximos dias após episódios de violência e saques no último fim de semana; país registra grandes atos contra alto custo de vida e desigualdade social

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou, nesta quinta-feira (22), a proibição de manifestações consideradas ilegítimas nos próximos dias. A medida, de acordo com Macron, é uma tentativa de conter novos episódios de violência no país — alguns desencadeados por grandes protestos contra o alto custo de vida e a desigualdade social.
A decisão aconteceu durante uma reunião entre Macron, ministros e representantes dos serviços de inteligência no Palácio do Eliseu, em Paris. O jornal francês Le Monde divulgou que o presidente indicou a autoridades locais que impeçam atos convocados por pessoas ou grupos considerados sem legitimidade para organizá-los.
Entretanto, as características que tornariam o ato "ilegítimo" não foram divulgadas. Somente foi confirmado que protestos organizados por sindicatos poderão ser autorizados, mas com possíveis mudanças nos trajetos para proteger estabelecimentos comerciais e evitar novos confrontos.
Em Lyon, as manifestações foram proibidas de acontecer no sábado (24), entre as 16h e 23h. Não há informações sobre outras cidades.
Uma nova reunião entre Emmanuel Macron, integrantes do governo e responsáveis pela segurança está prevista para sexta-feira (23). O encontro deve avaliar as medidas para conter os protestos convocados para o fim de semana.
No último sábado (17) e domingo (18), cerca de 500 mil pessoas — sendo a maioria pacíficas — tomaram as ruas da França em protestos que são registrados há mais de um mês no país. Mas, alguns momentos tornaram-se atos violentos, registrando uma morte, mais de 500 policiais feridos e aproximadamente 2 mil pessoas detidas.
Estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e destruídos. A polícia de choque usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão. Em vários locais, agentes foram flagrados agredindo pessoas com cassetetes.
Após a enorme mobilização no fim de semana, o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, decretou toque de recolher em Paris e pediu para que outras cidades seguissem a medida.

O que está acontecendo na França?
A onda inicial dos protestos na França começou no dia 17 de setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais.
Os alunos se manifestaram contra a falta crônica de professores, a ausência de substitutos, turmas superlotadas e a precariedade da infraestrutura das escolas públicas (como problemas de manutenção e falta de recursos). Rapidamente os atos foram marcados por forte repressão policial:
- Um estudante de 15 anos perdeu a mão em Lens, no Norte do país, após pegar uma granada de efeito moral, de agentes de segurança, que explodiu logo em seguida.
- O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagyoko, foi atingido por gás de pimenta ao tentar proteger estudantes da polícia.
Com a enorme mobilização nacional, as manifestações ganharam apoio de sindicatos contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis.
Em resposta, o governo liderado por Emmanuel Macron alega dificuldades para ampliar gastos em meio a um forte déficit público que ultrapassa 5% do PIB e uma dívida acumulada de trilhões de euros, priorizando cortes e outras frentes.
Durante um pronunciamento, Macron afirmou que "nada justifica" o que classificou de "violência desenfreada" registrada em manifestações registradas no fim de semana dos dias 17 e 18 de outubro.
Protestos continuaram a ser registrados no país. No dia 19, o acesso ao Museu do Louvre, em Paris, foi bloqueado.
Durante o ato, os estudantes — que afirmaram apoiar "a luta pelo direito de estudar, de trabalhar, de viver livremente em boas condições" — distribuíram panfletos com a mensagem: "Estamos orgulhosos de anunciar que bloqueamos o maior museu do mundo".
Organizadores e lideranças também organizam novas manifestações na França no fim de semana dos dias 24 e 25 de outubro.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



