Protestos na França: Museu do Louvre é bloqueado por movimento estudantil em Paris
Direção da instituição divulgou nas redes sociais que local não foi aberto no horário previsto;. data escolhida por grupo para bloqueio corresponde ao primeiro aniversário do roubo de joias no museu

O acesso ao Museu do Louvre, em Paris, na França, nesta segunda-feira (19), foi bloqueado pelo movimento estudantil para denunciar a repressão policial em protestos, iniciados por melhores condições em colégios e, posteriormente, aderido por sindicatos contra a alta no custo de vida e desigualdade social no país.
A direção do museu mais visitado do mundo divulgou que a instituição não abriu no horário previsto, às 9h (4h em Brasília) devido ao protesto, organizado por estudantes da Escola do Louvre.
"Prezados visitantes, devido a um movimento social estudantil, o museu está fechado no momento. Pedimos desculpas pelo incoveniente", escreveu a administração do museu nas redes sociais.
Durante o protesto, os estudantes — que afirmaram apoiar "a luta pelo direito de estudar, de trabalhar, de viver livremente em boas condições" — distribuíram panfletos com a mensagem: "Estamos orgulhosos de anunciar que bloqueamos o maior museu do mundo".
A data escolhida pelo grupo corresponde ao primeiro aniversário do roubo de joias no Museu do Louvre.
Protestos na França
A onda inicial de protestos na França começou em setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais.
Os alunos manifestaram contra a falta crônica de professores, a ausência de substitutos, turmas superlotadas e a precariedade da infraestrutura das escolas públicas (como problemas de manutenção e falta de recursos).
Rapidamente, a mobilização se transformou em um movimento nacional contra a desigualdade, a insuficiência de gastos públicos e a queda na qualidade dos serviços.
O governo francês alega dificuldades para ampliar gastos em meio a um forte déficit público que ultrapassa 5% do PIB e uma dívida acumulada de trilhões de euros, priorizando cortes e outras frentes, como a defesa.
Manifestações em cidades como Paris, Lyon, Nantes e Estrasburgo registraram choques entre manifestantes e a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.
- No dia 5 de outubro, um estudante de 15 anos teve a mão arrancada em Lens, no norte da França, após pegar uma granada de efeito moral da polícia que explodiu em seguida. Segundo o governador do estado de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, o jovem recebeu atendimento médico e não corre risco de vida.
- No dia 6 de outubro, o prefeito de Saint-Denis, Bally Bagyoko, foi atingido por gás de pimenta ao tentar proteger estudantes da polícia em meio a um protesto na cidade. Ele precisou ser carregado para receber colírio nos olhos depois de ser atingido.
Em 13 de outubro, a ativista sueca Greta Thunberg participou de uma manifestação em frente a uma escola de ensino médio em Saint-Denis, cidade próxima a Paris.
No fim de semana dos dias 17 de 18 de outubro, o país registrou uma das noites mais violentas dos últimos anos. De acordo com o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas.
Durante as manifestações, que em alguns momento tornaram-se atos violentos, uma pessoa morreu, mais de 500 policiais ficaram feridos e mais de 2 mil pessoas foram detidas. Alguns dos protestos terminaram em saques a comércios e prédios incendiados.
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou, no dia 19 de outubro, ter solicitado a prefeitos de cidades, que estão registrando manifestações nas últimas semanas, que decretem toques de recolher por conta dos protestos:
- Na cidade de Paris, a circulação está proibida na Place de la République e nas ruas ao redor do bairro de Les Halles das 22h do dia 19 até às 6h do dia seguinte, no horário local.
- Autoridades de Lille, Douai, Wattignies e Denais, no noroeste francês, também anunciaram que vão aplicar o toque de recolher.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



