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PCC e CV terroristas: Brasil pode ser invadido pelos EUA como ocorreu na Venezuela?

Especialistas descartam cenário semelhante ao venezuelano e apontam que os principais riscos para o Brasil são sanções econômicas e pressões diplomáticas

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Traficantes do Comando Vermelho (CV) cobriram pichação feita por união de grupos criminosos rivais no Conjunto Santa Maria, Região Centro-Sul de Belo Horizonte
Traficantes do Comando Vermelho (CV) cobrem pichação feita por união de grupos criminosos rivais no Conjunto Santa Maria, Região Centro-Sul de Belo Horizonte • Imagem cedida à Itatiaia

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas reacendeu debates sobre possíveis impactos diplomáticos e econômicos para o Brasil. A medida, anunciada na quinta-feira (28), gerou comparações com ações adotadas anteriormente pelos EUA em países como a Venezuela, mas especialistas descartam a possibilidade de uma invasão militar americana em território brasileiro.

Para analistas ouvidos pelo Estadão, o contexto brasileiro é completamente diferente do venezuelano. O professor de relações internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, afirma que o Brasil possui relevância estratégica, econômica e geopolítica muito maior no cenário internacional.

Segundo ele, o País é uma das maiores economias do mundo, possui uma pauta diversificada de exportações e desempenha papel central na segurança do Atlântico Sul. “O Brasil não pode ser tratado como um país dependente de uma única commodity”, avaliou.

Trevisan considera improvável qualquer tipo de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil e destaca a relação histórica entre as Forças Armadas brasileiras e americanas. Para ele, o principal risco está em possíveis sanções econômicas. “O que pode ocorrer são punições econômicas e financeiras. Empresas que eventualmente tenham vínculos, ainda que indiretos, com facções criminosas podem ser afetadas”, afirmou.

O professor de direito internacional da Unicamp, Luís Renato Vedovato, também avalia que medidas econômicas seriam mais prováveis do que ações militares. Entre os cenários possíveis, ele cita bloqueio de bens, restrições ao sistema financeiro brasileiro e até limitações envolvendo meios de pagamento. Na avaliação do especialista, PCC e CV atuam com foco em atividades financeiras ilícitas, e não por motivações ideológicas, o que diferencia esses grupos de organizações tradicionalmente classificadas como terroristas.

Vedovato defende que o combate às facções deveria ocorrer por meio de cooperação jurídica internacional, com foco em rastreamento financeiro e combate à lavagem de dinheiro. Apesar de considerar improvável uma invasão, o professor admite que a classificação pode contribuir para a construção de uma narrativa favorável a ações pontuais de inteligência ou operações específicas.

O coordenador de política internacional da BMJ Consultoria, Vito Villar, reforça que as relações entre Brasil e Estados Unidos não se comparam às mantidas por Washington com países que sofreram intervenções recentes.

Segundo ele, mesmo diante de divergências políticas entre os governos dos dois países, não há elementos que indiquem risco concreto de invasão militar. Villar também afirma que a proposta de classificar PCC e CV como organizações terroristas vinha sendo debatida há meses nos EUA.

Especialistas destacam ainda que, em caso de aumento das tensões diplomáticas, o Brasil possui alternativas estratégicas em suas relações internacionais. A aproximação comercial com a China e a presença de empresas americanas com operações integradas no País são apontadas como fatores que reduzem a possibilidade de medidas extremas por parte dos Estados Unidos.

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