Oriente Médio: israelenses vão às urnas nesta terça-feira (27) 'divididos' sobre Netanyahu
Eleições gerais acontecem depois de três anos de guerra em Gaza e confrontos com o Líbano e o Irã; premiê de 76 anos e integrante do partido de direita Likud, já é o que permaneceu mais tempo no cargo, em períodos não consecutivos

Isarel realizará eleições gerais nesta terça-feira (27). A votação é considerada um referendo sobre o pirimeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o papel dele desde o início da guerra em Gaza. O pleito será o primeiro desde o maior ataque terrorista que o país sofreu, em 7 de outubro de 2023.
As eleições determinarão se Netanyahu, que responde a um processo por corrupção, permanecerá no poder de Israel, que vive há três anos em estado de guerra e de grave crise social.
O primeiro-ministro, de 76 anos e integrante do partido de direita Likud, já é o que permaneceu mais tempo no cargo, em vários períodos não consecutivos.
Em pesquisa divulgada na última sexta-feira (23) pelo Canal 12, canal de televisão comercial aberto mais assistido em Israel, 21% dos entrevistados apontaram a economia e o custo de vida como principal fator de influência sobre o voto.
Outros 17% citaram o alistamento militar e a igualdade de obrigações, 14% mencionaram as falhas de segurança de 7 de Outubro, 13%, a segurança pública, e 10%, a guerra com o Irã. A reforma do Judiciário e a polarização social foram escolhidas por 9% e 8%, respectivamente.
As falhas de segurança que permitiram que combatentes do Hamas entrassem em território israelense pema sobre a popularidade de Benjamin Netanyahu. Reportagens publicadas pelo jornal israelense Haaretz e, posteriormente, pelo New York Times, denunciam que o premiê teria sido alertado pelo emir dos Emirados Árabes Unidos, Mohammad bin Zayed, de que o Hamas planejava uma ação terrorista dias antes do atentado considerado o mais letal em Isarel.
A reportagem da Itatiaia explicou sobre a denúncia contra Netanyahu. Para saber mais, basta clicar aqui.

Nos últimos dias de campanha, Benjamin Netanyahu publicou uma série de mensagens que apelam ao medo e provocaram críticas, além de preocupações econômicas.
O premiê de Israel publicou, no domingo (25), uma imagem gerada por inteligência artificial que mostra uma bomba atômica caindo sobre Tel-Aviv. Na publicação, ele alertou que um Irã nuclear representa uma “ameaça existencial real e tangível” para Israel.
Eleições em Israel
No dia 27 de outubro de 2026, os eleitores votarão nos partidos, e as cadeiras no Parlamento israelense, o Knesset, serão distribuídas entre os candidatos das listas partidárias, de acordo com o sistema de representação proporcional.
Confira, abaixo, os prinicipais adversários de Benjamin Netanyahu:
- Gadi Eisenkot: ex-chefe das forças armadas que perdeu um filho em combate em Gaza, Eisenkot, de 66 anos. Ele lidera um novo partido de centro chamado Yashar, palavra hebraica que significa "correto" ou "honesto".
- Naftali Bennett: ex-primeiro-ministro, o político de direita, de 54 anos, que também é ex-integrante de uma unidade de comandos militares, ex-assessor de Netanyahu e milionário do setor de tecnologia, uniu forças com o também ex-premiê Yair Lapid, de centro.
- Avigdor Lieberman: ex-ministro de Defesa, Lieberman, de 68 anos, já foi um aliado próximo de Netanyahu. Seu partido, Israel Nossa Casa, recebe grande parte de seu apoio da comunidade de imigrantes oriundos da antiga União Soviética.
- Yair Golan: ex-general e elogiado por resgatar pessoas de um dos locais atacados pelo Hamas em 2003, Golan, de 64 anos, lidera o partido Os Democratas, criado a partir do que restou do histórico Partido Trabalhista de Israel, então em declínio, e do Meretz, uma legenda menor de esquerda.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



