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Vucic reconhece derrota na Sérvia para movimento criado por estudantes

Votação representa uma mudança política significativa no país dos Bálcãs, onde Vucic e seu Partido Progressista Sérvio (SNS) mantinham amplo controle do poder havia 14 anos

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Vucic reconhece derrota na Sérvia para movimento criado por estudantes
Vucic reconhece derrota na Sérvia para movimento criado por estudantes • PEDJA MILOSAVLJEVIC / AFP

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, admitiu neste domingo (25) a derrota de seu partido nas eleições parlamentares para a Lista dos Estudantes, movimento de oposição nascido de dois anos de protestos contra o governo. O resultado encerra 14 anos de domínio do Partido Progressista Sérvio (SNS) no país dos Bálcãs.

Segundo as projeções do próprio partido, citadas por Vucic, a oposição deve ficar com 135 a 140 das 250 cadeiras do Parlamento, e o SNS, com cerca de 105. Ele disse ainda que a Lista dos Estudantes teve aproximadamente 2,2 milhões de votos, contra 1,7 milhão da legenda governista.

Depois do anúncio, multidões tomaram as ruas de Belgrado e de outras cidades para celebrar. Em um parque da capital, manifestantes derrubaram cercas e retiraram barracas de um acampamento de apoiadores de Vucic.

O movimento estudantil cresceu após o desabamento da cobertura de concreto de uma estação ferroviária em Novi Sad, em 2024, que matou 16 pessoas. Os manifestantes atribuíram a tragédia à corrupção e a irregularidades nas obras de reforma e passaram a exigir a responsabilização das autoridades e a restauração da democracia no país.

Na eleição, a Lista dos Estudantes apresentou candidatos de áreas variadas, entre eles especialistas, atletas, agricultores e artistas, em uma campanha voltada a eleitores insatisfeitos com os partidos tradicionais. Vucic, que deixou a Presidência no mês passado para concorrer ao cargo de primeiro-ministro, responsabilizou a imprensa independente e supostas interferências estrangeiras pela derrota.

A União Europeia acompanhou a votação de perto, já que a Sérvia é candidata a integrar o bloco. Observadores eleitorais relataram irregularidades, como eleitores fotografando cédulas e indícios de compra de votos. A campanha também foi marcada por denúncias de pressão sobre eleitores e de controle do governo sobre a mídia.

* Com informações de Associated Press, via Estadão Conteúdo

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