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Arquidiocese de Nova York aceita pagar mais de US$ 800 milhões a vítimas de abuso sexual

Entendimento prevê reparações financeiras para cerca de 1.300 pessoas e busca encerrar anos de negociações no âmbito dos escândalos da Igreja Católica nos EUA

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O Papa Leão XIV acena para a multidão do papamóvel enquanto percorre a Avenida Champs-Élysées para celebrar uma missa solene ao ar livre na Place de la Concorde, no centro de Paris, em 26 de setembro de 2026, no segundo dia de sua visita à França
Foto por KIRAN RIDLEY / AFP

A Arquidiocese de Nova York confirmou ter alcançado um acordo histórico superior a US$ 800 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) para indenizar centenas de vítimas de agressões sexuais cometidas por integrantes do clero. A formalização e a assinatura do termo estão previstas para o início de novembro.

O montante deve encerrar um longo período de negociações entre a instituição e os representantes dos afetados. A jurisdição da Arquidiocese de Nova York engloba a região de Manhattan, Staten Island, Bronx e diversos condados situados ao norte da metrópole.

Indenizações proporcionais e alcance do fundo

Conforme reportado pelo jornal The New York Times, a negociação abrange em torno de 1.300 vítimas. Pelo plano estabelecido, cada uma receberá um valor inicial mínimo de US$ 250 mil (aproximadamente R$ 1,3 milhão), podendo alcançar quantias superiores a depender da gravidade e das circunstâncias de cada caso.

Em mensagem enviada aos sacerdotes da região, o arcebispo de Nova York, Ronald Hicks, destacou o objetivo do acordo de proporcionar reparação às pessoas impactadas. "Estamos preparados para poder, se Deus quiser, fornecer alguma medida de cura e reconciliação a todas as vítimas sobreviventes", declarou Hicks no comunicado interno reproduzido pela agência AFP.

Ronald Hicks assumiu a liderança da arquidiocese após nomeação feita pelo papa Leão XIV, sucedendo o cardeal Timothy Dolan. Antes do encerramento de sua gestão, Dolan havia anunciado a estruturação de um fundo inicial de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) voltado à compensação dos atingidos.

Contexto histórico

As denúncias contra membros da Igreja Católica nos Estados Unidos ganharam ampla repercussão pública a partir dos anos 2000. Investigações e reportagens revelaram a ocorrência de abusos contra milhares de crianças e adolescentes ao longo de décadas, além de condutas sistemáticas de omissão e transferência de sacerdotes investigados para outras paróquias por parte da alta hierarquia eclesiástica.

Diante do volume de processos judiciais e reivindicações em todo o país, diversas dioceses norte-americanas fecharam acordos financeiros de grande porte e instituíram programas de mediação extrajudicial para reparar as vítimas sem a necessidade de julgamentos prolongados.

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