'Atentado terrorista racista': ataque a tiros deixa uma pessoa morta na França
Presidente Emmanuel Macron classifica o ato como terrorista motivado por racismo, enquanto investigadores aprofundam a apuração; cinco pessoas ficaram feridas

Um exemplar de “Minha Luta”, de Adolf Hitler, foi encontrado na casa do homem suspeito de fazer um ataque a tiros nos subúrbios de Paris, que deixou uma pessoa morta e cinco feridas. Segundo a AFP, foi relatado também a presença de uma Bíblia e de um Alcorão na casa dele, na cidade de Plaisir, na França.
O suspeito, de 39 anos, foi detido nessa sexta-feira (23) e está sob custódia policial. Ele portava uma submetralhadora e granadas de gás lacrimogêneo em seu carro. As vítimas foram baleadas por alguém que disparava de um veículo que circulava pelas cidades de Trappes e de Lá Verrière, por volta das 10h30 (5h30 horário de Brasília).
Entre os feridos está uma menina de 12 anos, atingida por oito disparos. Ela se encontra em estado crítico, informaram as autoridades. A vítima fatal foi identificada como Pengo Bossio Wangi, um jovem de 26 anos, de origem africana, que era uma promessa no MMA.
O presidente Emmanuel Macron classificou o ataque como um “atentado terrorista racista”, uma vez que a maioria das vítimas era de origem estrangeira. Centenas de pessoas reuniram-se, neste sábado (24), no local onde ele foi morto, erguendo cartazes que pediam “justiça” e observando um minuto de silêncio em sua memória.
"Poderia ter sido qualquer um. Ele abriu fogo contra negros e árabes. Ele sabia que a maioria da população aqui em Trappes é muçulmana", disse um comerciante local, de origem norte-africana.
'O racismo mata'
O ataque ocorreu em um momento de profundas divisões na França, país que se prepara para eleições em seis meses, com a candidata de extrema-direita Marine Le Pen liderando as pesquisas de intenção de voto.
Tensões políticas e sociais transbordaram há uma semana, resultando em distúrbios que prejudicam a imagem do país às vésperas da votação que escolherá o sucessor de Macron.
Enquanto a França vivia mais um dia de protestos neste sábado (24), alguns cartazes faziam referência ao ataque, culpando o partido de extrema-direita de Marine Le Pen, o Reunião Nacional (RN), que possui um viés anti-imigração, por fomentar um clima de intolerância. "O racismo mata. A extrema-direita mata", afirmou Mathilde Panot, parlamentar do partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI), durante um ato próximo ao local do tiroteio.
Le Pen defendeu uma investigação "implacável" e classificou como "abominável" a possibilidade de o racismo ter sido a motivação do atirador.
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A família da vítima afirmou que o atirador já era conhecido pelas autoridades e exigiu saber se ele vinha sendo monitorado adequadamente.
Em um comunicado divulgado por meio de seu advogado, a família solicitou uma investigação sobre eventuais falhas das autoridades e pediu que se "esclareça, de forma exaustiva, a trajetória que levou à radicalização" do atirador.
Segundo os investigadores, o homem havia preparado uma armadilha em seu apartamento, utilizando botijões de gás e fios elétricos conectados a um temporizador.
Quatro pessoas do círculo familiar e de amizades do suspeito, incluindo seus pais, também foram detidas e interrogadas pelos investigadores, informou à AFP uma fonte próxima ao caso.
A Promotoria Nacional Antiterrorismo da França (PNAT), responsável pelo caso, informou que o período de detenção do suspeito foi prorrogado após os interrogatórios iniciais.
*Com AFP
Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.



