7 de outubro: 'plano de paz' na Faixa de Gaza registra bombas diárias; guerra entre Israel e Hamas completa 3 anos
Na data em que conflito completa três anos, Israel realizou novos bombardeios em Gaza, deixando três mortos; aniversário de três anos da guerra é marcado por protestos israelenses e palestinos deslocados recebendo refeições quentes

O ataque do Hamas, organização política e militar sunita, contra Israel em 7 de outubro de 2023 completa três anos nesta quarta-feira (7). Mesmo com o "plano de paz" mediado pelos Estados Unidos teoricamente em vigor, a Faixa de Gaza registra bombardeios diariamente e Israel mantém 60% do território palestino ocupado. A informação é do relatório sobre Gaza do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha), publicado nessa segunda-feira (5).
Nesta quarta-feira (7), Israel realizou novos bombardeios em Gaza, deixando três mortos, segundo autoridades palestinas. A Defesa Civil de Gaza afirmou que uma das vítimas era um voluntário que atuava no serviço de resgate no território controlado pelo Hamas. Por outro lado, o Exército de Israel afirmou que dois dos mortos no território eram "terroristas do Hamas".
Há exatos três anos, o Hamas lançou uma ofensiva surpresa contra o sul de Israel, a partir de Gaza. A operação denominada "Tempestade Al-Aqsa" resultou na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no sequestro de 251 reféns. Em resposta, bombardeios comandados por Benjamin Netanyahu mataram mais de 74 mil palestinos.
Um acordo de cessar-fogo, considerado extremamente frágil foi oficializado em 9 de outubro de 2025, com o intermédio dos Estados Unidos. Mesmo com a suposta trégua, entre 23 e 30 de setembro de 2026, 29 palestinos foram mortos e 147 ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local.
Somando outras vítimas, 1.431 pessoas foram mortas desde o anúncio de cessar-fogo — o que representa quase quatro óbitos por dia. O acordo interrompeu por principais combates, mas não impediu os ataques israelenses, nem garantiu o desarmamento do Hamas.
Fome em Gaza
A Ocha da ONU ainda destacou, no relatório publicado nessa segunda-feira (5), que a produção diária de refeições quentes em Gaza diminuirá significativamente a parte deste mês de outubro, devido à falta de financiamento. Apenas 40% dos US$ 4 bilhões solicitados para ajuda humanitária na Palestina ocupada foram transferidos.
"Espera-se que 1,4 milhão de pessoas (67% da população de Gaza) enfrentem níveis de insegurança alimentar aguada entre julho e dezembro", calcula o Ocha.
Imagens registradas pela Agence Frace-Presse nesta quarta-feira (7) mostram o momento em que palestinos receberam refeições quentes no campo de refugiados palestinos de Nuseirat, na região central da Faixa de Gaza:

Israelenses protestam, três anos depois
Israelenses fizeram, nesta quarta-feira (7), várias homenagens e protestos para marcar os tres anos do ataque. Familiares das vítimas voltaram a cobrar a criação de uma comissão estatal de inquérito para investigar as falhas que antecederam o atentado.
É o primeiro aniversário do ataque desde que todos os reféns, vivos e mortos, foram devolvidos a Israel. No sul do país, famílias se reuniram em cruzamentos, abrigos antiaéros e no local do festival de música Nova, onde mais de 350 pessoas foram mortas.
Às 6h29, horário exato em que os primeiros ataques foram lançados, parentes de sobreviventes se abraçaram enquanto explosões eram registradas na Faixa de Gaza.
Também foram registrados protestos em frente à residência do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Cesareia, de sua residência oficial em Jerusalém e das casas do presidente do Knesset, Amir Ohana, em Tel Aviv, do ministro da Justiça, Yariv Levin, e do ministro da Educação, Yoav Kisch.
Na praia de Trumpeldor, em Tel Aviv, manifestantes pediram uma investigação para determinar os responsáveis pelas falhas que antecederam o ataque sem precedentes em Israel. No mesmo local, fileiras de figuras humanas foram dispostas para representar as mais de 1,2 mil pessoas mortas e sequestradas.

Relembre o 7 de outubro de 2023
Em 7 de outubro de 2023, milhares de combatentes do Hamas e aliados lançaram uma invasão cruzando a fronteira de Gaza em direção ao sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo outras 251 reféns, no ataque mais letal da história de Israel.
Batizado pelo Hamas de "Tempestade Al-Aqsa", o ataque ocorreu na manhã do feriado judaico de Shemini Atzeret. A ofensiva inicou com milhares de foguetes sendo disparados contras cidades israelenses para sobrecarregar o sistema de defesa antimísseis "Domo de Ferro".
Em seguida, os invasores se espalharam rapidamente por uma vasta área do sul de Israel, atacando bases militares e mais de 20 comunidades civis, incluindo vilas agrícolas (kibbutzim) como Be'eri e Kfar Aza, e a cidade de Sderot.
Um dos episódios mais graves ocorreu no festival de música eletrônica Supernova, próximo ao Kibbutz Re'im, onde centenas de jovens foram encurralados e executados a tiros.
O que o cessar-fogo prevê?
O acordo de paz, estruturado em três fases principais, foi oficializado em 9 de outubro de 2025. Entretanto, partes do cessar-fogo ainda estão paralisadas. Entenda abaixo:
- O pacto inicial garantiu a suspensão temporária dos combates e a libertação de reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos.
- O plano previa a retenção inicial de 53% de Gaza pelas forças israelenses, com recuo gradual das tropas.
- Mas, um ano após o anúncio da guerra relatórios da ONU apontam que operações militares e bombardeios pontuais de Israel continuam ocorrendo.
As negociações para as fases seguintes — que envolvem o desarmamento do Hamas e a transição da administração civil para um comitê tecnocrático palestino — enfrentam forte resistência e impasses políticos entre Israel e o grupo armado.
Netanyahu teria sido alertado sobre ataque
No fim de setembro de 2026, jornais de Israel e dos Estados Unidos publicaram denúncias de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria sido alertado pelo Emir dos Emirados Árabes Unidos, Mohammad bin Zayed, de que o Hamas planejava uma ação terrorista dias antes de o atentato de 7 de outubro de 2023.
As denúncias foram divulgadas às vésperas das eleições gerais em Israel, previstas para o dia 27 de outubro. As pesquisas indicam uma disputa acirrada, com chance de a coalização opositora conseguir uma vitória. Netanyahu já governou o país por mais de 16 anos no total, divididos em três períodos diferentes.
Em reportagem publicada no dia 25 de setembro, o New York Times indicou que, no final de setembro de 2023, o emir dos Emirados Árabes Unidos, havia ligado ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para informar que, "com base em informações recebidas, o Hamas planejava lançar um ataque".
O jornal estadunidense confirmou, ainda, que, após a ligação, Netanyahu reuniu chefes de segurança em 1º de outubro de 2023, para uma situação na Faixa de Gaza e não mencionou o alerta sobre o ataque.
Antes, a denúncia foi publicada pelo jornal israelense Haaretz, momento em que Netanyahu negou, em um comunicado, ter recebido qualquer ligação de alerta de Mohammed e afirmou que, se alguma informação de inteligência tivesse vindo dos Emirados, ela teria sido repassada a Israel pelos canais de inteligência.
No entanto, o New York Times indica que, meses depois, o emir mencionou a ligação de setembro de 2023 com Netanyahu durante uma conversa com o então diretor da CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos, William Burns.
Depois de a imprensa internacional publicar reportagens sobre o caso, Netanyahu visitou Mohamed bin Zayed no último domingo (27). A viagem foi confirmada pelos gabinetes dos dois líderes na segunda-feira (28), sem citar que as denúncias teriam sido o motivo da reunião entre os líderes.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



