Oriente Médio: palestinos realizam funeral de 112 corpos encontrados em Gaza
No fim de semana, equipes de resgate escavaram os prédios destruídos e recuperaram os restos mortais de 112 vítimas, incluindo 40 crianças, segundo a Defesa Civil, agência que atua sob o Ministério do Interior administrado pelo Hamas

Centenas de palestinos se reuniram, nesta terça-feira (4), para um funeral coletivo de 112 corpos recuperados após um ataque comandado por Israel em Gaza, ocorrido em 22 de novembro de 2023 — em que mais de 300 pessoas morreram. A ofensiva aconteceu poucas semanas depois de o início da guerra contra o movimento político e militar islâmico Hamas, quando aviões de guerra destruíram um quarteirão residencial no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza.
Aproximadamente 40 corpos foram recuperados logo em seguida, em uma busca feita com ferramentas improvisadas e as próprias mãos de moradores. Mas, a maior parte das vítimas fatais permaneceu soterrada sob os escombros.
Anos depois, nesse fim de semana, equipes de resgate escavaram os prédios destruídos e recuperaram os restos mortais de 112 vítimas, incluindo 40 crianças, segundo a Defesa Civil, agência que atua sob o Ministério do Interior administrado pelo Hamas, apontando que outros 157 corpos ainda não foram encontrados.
Cessar-fogo permitiu recuperação de restos mortais
Alguns corpos estão sendo recuperados lentamente à medida que o cessar-fogo, que é considerado frágil, em vigor desde outubro de 2025, permite este tipo de operação em partes da Faixa de Gaza. Os esforços contribuíram para o aumento do número oficial de mortos na guerra:
- O ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no sequestro de 251 reféns.
- Em seguida, a ofensiva israelense em resposta matou cerca de 73.377 palestinos, incluindo vítimas registradas desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
Futuro de Gaza após cessar-fogo

Um acordo de cessar-fogo em Gaza entrou em vigor no dia 10 de outubro de 2025 mas, desde então, é frágil. A primeira fase permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas, em troca de palestinos presos por Israel.
Entretanto, a segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada progressiva das forças israelenses de Gaza está há meses estagnada.
Em junho deste ano, facções palestinas reuniram-se com mediadores no Cairo e apresentaram uma proposta para a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza.
A proposta apresentada pelo Conselho de Paz liderado pelos Estados Unidos inclui questões como:
- Reconstrução de Gaza;
- Desarmamento;
- Retirada israelense;
- Implantação de uma força internacional de paz.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



