María Corina Machado retorna à Venezuela após dez meses de exílio
Sua volta acontece em um momento em que os Estados Unidos, aliados da oposição, atuaram para transformar o cenário político venezuelano, chegando a depor o presidente Nicolás Maduro, sem a participação de Machado

A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, retornou à Venezuela neste domingo (25), após mais de dez meses no exílio. A volta acontece em meio a um cenário político do país transformado pelos Estados Unidos, seu aliado, que agiu sem a participação da opositora.
"Estou aqui. Com vocês", anunciou Machado na rede social X na manhã deste domingo (25), pouco antes de outros integrantes da oposição confirmarem sua chegada, sem fornecer detalhes. Ela havia deixado a Venezuela em dezembro do ano passado e viajado à Noruega para receber o Prêmio Nobel da Paz, concedido a ela por promover os direitos democráticos em seu país.
Um mês depois de sua partida, os Estados Unidos derrubaram seu rival, o presidente Nicolás Maduro, e começaram a trabalhar com o governo interino venezuelano para conduzir o país a uma transição democrática e à reconciliação política. O processo envolveu várias figuras importantes da oposição, mas excluiu Machado e seu aliado, o ex-candidato à Presidência Edmundo González Urrutia.
González também afirmou que a líder opositora está em seu país, após mais de dez meses no exterior e várias tentativas frustradas de retornar. "Venezuela! Estou muito emocionado em anunciar que nossa líder, minha querida María Corina, está em território venezuelano", escreveu o ex-candidato à Presidência em sua conta no X.
"Hoje é um dia muito importante para os venezuelanos. Nossa voz soberana retorna com ela para liderar e conduzir esse processo! Muito em breve estarei com vocês e com ela para que nosso país avance verdadeiramente rumo à liberdade. Vocês sabem, isso vai até o fim", acrescentou González Urrutia.
O grupo político Comando Con Venezuela divulgou no X algumas fotografias de Machado na Igreja de Santa Rosa, no estado de Lara. Segundo a organização, a líder foi ao local "para agradecer à Divina Pastora por seu retorno à Venezuela, depois de dez meses fora do país".
"Com fé e com Deus ao seu lado, ela se reencontra com os venezuelanos e com sua terra!", acrescentou o grupo. Desde então, especialmente após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro, em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, ela havia tentado retornar ao território venezuelano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à CNN neste domingo (25) que não sabia do retorno de Machado. "Não sabia de nada a respeito, mas acho que ela é uma mulher muito agradável", afirmou. "Ela me deu seu Prêmio Nobel, então o que mais posso dizer? Espero que ela esteja bem."
A CNN entrou em contato com o Departamento de Estado dos Estados Unidos para perguntar se o país participou de alguma forma das negociações que levaram ao retorno de Machado à Venezuela. O Departamento encaminhou a reportagem a declarações feitas pelo secretário Marco Rubio em setembro, quando afirmou que ela tinha o direito de retornar ao país quando quisesse.
"María Corina Machado, uma cidadã venezuelana, tem todo o direito de entrar em seu país quando quiser voltar. Nós lhe demos conselhos", disse Rubio na ocasião. "Ela é uma cidadã venezuelana. É venezuelana. Não é panamenha, não é americana, é venezuelana e pode fazer isso. Mas não se trata apenas de María Corina, por quem tenho grande admiração. Há também outras figuras políticas importantes do passado que tiveram de partir para o exílio", afirmou.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.



