'Onda Azul': o que a vitória dos democratas no Congresso muda para Trump nos EUA
Vitória democrata nas eleições de meio de mandato encerra maioria republicana nas duas Casas do Legislativo e amplia os obstáculos para o presidente nos dois últimos anos de governo

As eleições de meio de mandato, realizadas na última terça-feira (3) nos Estados Unidos, redefiniram o mapa político ao entregar ao Partido Democrata o controle das duas Casas do Congresso americano. A consolidação da chamada "onda azul" encerra o período de maioria unificada republicana no Legislativo e impõe ao presidente Donald Trump o desafio de governar com a oposição nas duas Casas nos dois anos finais de seu segundo mandato na Casa Branca.
A mudança na composição da Câmara e do Senado foi impulsionada pela insatisfação dos estadunidenses com o governo Trump. Na véspera da votação, pesquisas já apontavam altos índices de desaprovação do republicano, motivados principalmente pelo descontentamento do eleitorado com a condução da economia e o alto custo de vida. O resultado se confirmou nas urnas mesmo após a eleição mais cara da história do país, com arrecadações que superaram US$ 15 bilhões (cerca de R$ 75 bilhões).
A virada
No Senado, os democratas impuseram uma derrota histórica ao governo ao conquistar sete cadeiras que anteriormente eram controladas pelos republicanos em estados tradicionalmente conservadores, como Carolina do Sul, Ohio, Kansas, Texas, Iowa, Maine e Carolina do Norte.
Além de conquistar esses assentos, a oposição também manteve as 12 cadeiras que já ocupava, formando, ao todo, uma bancada de 54 senadores, contra 44 do Partido Republicano.
- Texas: O democrata James Talarico derrotou o procurador-geral Ken Paxton, candidato apadrinhado por Trump nas primárias republicanas.
- Carolina do Sul: A democrata Annie Andrews conquistou uma vitória sobre Darline Graham, candidata apoiada por Trump para a vaga aberta após a morte de seu irmão, o senador Lindsey Graham.
- Ohio: O democrata Sherrod Brown derrotou o republicano Jon Husted no estado onde Trump realizou repetidos comícios de campanha.
- Geórgia e New Hampshire: O senador democrata Jon Ossoff garantiu a reeleição contra Mike Collins, enquanto Chris Pappas venceu em New Hampshire, tornando-se o primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado dos Estados Unidos.
O que muda para Trump?
Com a nova maioria no Congresso, os deputados e senadores da oposição poderão assumir a presidência de comissões temáticas a partir de janeiro de 2027.
O comando dos colegiados concede aos democratas o poder de emitir intimações formais, obrigando autoridades do governo e representantes de entidades privadas a prestar depoimentos. No Senado, o poder de fiscalização é reforçado por uma lei que permite à Casa recorrer diretamente aos tribunais federais para determinar o cumprimento forçado dessas convocações.
Além disso, pela Constituição dos Estados Unidos, cabe aos senadores confirmar as indicações do presidente para altos cargos do Executivo e do Poder Judiciário, incluindo juízes federais e ministros da Suprema Corte. Sem maioria na Casa, Trump perde a liberdade de aprovar suas indicações praticamente sem questionamentos.
O presidente, no entanto, ainda poderá barrar decisões dos parlamentares. Apesar de reconhecer a derrota, Trump sinalizou que pretende recorrer ao poder de veto para enfrentar o Partido Democrata. O Congresso pode derrubar um veto presidencial, mas precisa reunir, pelo menos, dois terços dos votos em cada uma das Casas.
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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.


