Democratas consolidam controle do Congresso nos EUA, diz projeção
A vitória foi confirmada por projeções da CNN, e o ex-presidente Donald Trump comentou os resultados, que também foram vistos como um referendo sobre sua gestão

O Partido Democrata consolidou o controle das duas casas legislativas dos Estados Unidos, a Câmara dos Representantes e o Senado, pelos próximos dois anos. A informação foi apontada pela projeção eleitoral da CNN, após os democratas ultrapassarem a marca de 218 cadeiras na Câmara e 51 no Senado.
Os americanos foram às urnas nesta terça-feira (3) para as Eleições de Meio de Mandato, conhecidas como Midterms. Neste pleito, são renovados todos os deputados e um terço dos senadores americanos. Além disso, a disputa incluiu o governo de 36 estados e outros cargos locais.
Para alcançar a maioria, os democratas registraram avanços significativos em estados tradicionalmente republicanos, vencendo disputas em áreas que não elegiam um candidato do partido há décadas. Isso incluiu a conquista de uma cadeira no Senado na Carolina do Sul, estado vencido pelo ex-presidente Donald Trump com uma margem de 18 pontos percentuais em eleições anteriores, e outra no Texas, que não elegia um democrata para o Senado desde 1988.
Ainda, o partido obteve uma vitória no Kansas, estado que não elegia um senador democrata desde 1932. Foram ao menos sete viradas no Senado e 27 na Câmara, onde eram necessários quatro assentos a mais em cada Casa, além de quatro entre governadores de estado.
A mudança no controle de ambas as casas legislativas no mesmo ciclo eleitoral ocorreu apenas duas vezes nos últimos 50 anos.
Veja aqui o mapa da apuração dos resultados das Eleições de Meio de Mandato dos EUA.
A votação foi considerada, paralelamente, um referendo sobre o governo de Donald Trump, segundo especialistas. As preocupações com a inflação e o custo de vida, especialmente relacionadas aos combustíveis, estiveram entre as principais pautas dos americanos.
Esse cenário se somou a outros problemas políticos enfrentados por Trump, como a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro e ainda sem um acordo para encerrá-la. Para entender mais sobre as relações com o país do Oriente Médio, veja o que é necessário para novos ataques ao Irã.
O ex-presidente chegou ao dia de votação em um momento de baixa aprovação. Uma pesquisa Reuters/Ipsos, publicada em 26 de outubro, mostrou que apenas 32% dos americanos viam seu governo de forma positiva. Mais informações sobre o cenário pré-eleições estão disponíveis no artigo 'Midterms': Trump e republicanos enfrentam pesquisas negativas.
A importante vitória garante ao Partido Democrata poder para fiscalizar as ações tomadas pelo governo Trump. O ex-presidente já afirmou a veículos americanos que aceitaria os resultados na madrugada desta quarta-feira (4), quando as urnas eram apuradas. No entanto, não reconheceu o impacto de sua rejeição para os resultados nas urnas.
“Não encaro isso como um golpe contra mim”, disse Trump em entrevista à Fox News.
“Tivemos os dois melhores anos na história da presidência em termos de economia, em termos de tudo o que realizamos”, declarou, ao mesmo tempo em que reconheceu o impacto da guerra do Irã para os eleitores. "Não aceitaram o impacto de curto prazo nos preços da gasolina."
Ao ser questionado sobre qual seria sua mensagem final ao povo americano, o ex-presidente parabenizou o partido adversário.
“Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas”, declarou Trump. “Eles fizeram um bom trabalho. Estavam buscando isso há 11 anos e, finalmente, conseguiram”, disse.
Mais cedo, na mesma entrevista, Trump atribuiu as derrotas aos candidatos republicanos que ele apoiou. Ele afirmou que alguns deles “lutaram contra mim” e não conseguiram inspirar sua base a comparecer às urnas.
Por outro lado, ao longo da campanha eleitoral, o ex-presidente insistiu para que eleitores pensassem nele na hora do voto.
"Vocês precisam me fazer o maior favor que já me fizeram: fingir que eu estou nas cédulas", disse na convenção do Partido Republicano, no início de setembro.
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