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Trump diz que aceitará resultado das urnas, mas publica foto de boné com mensagem de veto

Presidente dos EUA afirmou que está disposto a colaborar com o partido adversário; nas redes sociais, publicou imagem de boné com a palavra “VETO”

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Trump diz que aceitará resultado das urnas, mas publica foto de boné com mensagem de veto
Trump diz que aceitará resultado das urnas, mas publica foto de boné com mensagem de veto • Foto: AFP | Redes Sociais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está disposto a aceitar os resultados das eleições de Meio de Mandato de 2026, que devem garantir aos democratas o controle da Câmara e do Senado americano. Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump também sinalizou que pretende buscar acordos com integrantes do partido adversário.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, disse o presidente.

Trump afirmou ainda que espera construir entendimentos com os democratas. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, declarou.

Nas redes sociais, o presidente também publicou uma imagem de um boné com a palavra “VETO” bordada, acompanhada de uma mensagem em que afirmou que vetaria propostas democratas que dependessem de aprovação da Presidência.

Em entrevista à Fox News, Trump minimizou o desempenho dos republicanos nas eleições e afirmou que não considera o resultado uma rejeição à sua gestão.

“Mas não encaro isso como um golpe contra mim”, disse.

“Tivemos os dois melhores anos na história da presidência em termos de economia, em termos de tudo o que realizamos”, declarou.

Ao ser questionado sobre qual seria sua mensagem final ao povo americano, Trump parabenizou o partido adversário.

“Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas”, afirmou. “Eles fizeram um bom trabalho. Estavam buscando isso há 11 anos e, finalmente, conseguiram”, acrescentou.

Mais cedo, na mesma entrevista, Trump atribuiu parte das derrotas aos candidatos republicanos que apoiou. Segundo ele, alguns deles “lutaram contra mim” e não conseguiram mobilizar sua base para comparecer às urnas.

Conquista histórica

O Partido Democrata deve conquistar o controle das duas casas legislativas dos Estados Unidos nas eleições de Meio de Mandato de 2026. A vitória representa uma mudança histórica no Congresso e amplia o poder da oposição para fiscalizar e barrar iniciativas do governo Trump nos dois anos finais do mandato.

Os democratas avançaram em estados tradicionalmente republicanos e venceram disputas em locais que não elegiam representantes do partido havia décadas.

Entre os resultados estão a conquista de uma cadeira no Senado na Carolina do Sul, estado vencido por Trump com uma margem de 18 pontos percentuais em 2024, e outra no Texas, que não elegia um democrata para o Senado desde 1988.

O partido também venceu no Kansas, que não elegia um senador democrata desde 1932.

Apenas duas vezes, nos últimos 50 anos, o controle das duas casas legislativas mudou no mesmo ciclo eleitoral.

A mudança ocorre após um período de 22 meses marcado pela chegada de Trump ao poder com uma postura agressiva, pela ampliação do controle do Executivo e pelo apoio de um Congresso dominado pelos republicanos.

Entre os fatores apontados para o resultado estão a inflação, as tarifas impostas por Trump, a guerra no Irã e a preocupação dos eleitores com a conduta do presidente e seu enriquecimento pessoal.

Pesquisas realizadas pela CNN com eleitores indicaram que mais de seis em cada dez desaprovam Trump, sendo que a maioria demonstra forte rejeição. Dois terços dos entrevistados afirmaram que as políticas do presidente pioraram a economia.

A conquista da Câmara pelos democratas era amplamente esperada, já que o partido precisava de apenas três cadeiras adicionais para alcançar a maioria. Historicamente, o partido do presidente tende a perder assentos nas eleições de meio de mandato.

A conquista do Senado, no entanto, tornou o resultado ainda mais expressivo. Para alcançar a maioria, os democratas precisaram vencer disputas em estados nos quais Trump havia conquistado vitórias com margens de dois dígitos em 2024.

Além da Carolina do Sul, do Texas e do Kansas, o partido garantiu vitórias em Ohio e Iowa. O tamanho exato das maiorias ainda depende da contabilização dos resultados finais.

Com o controle das duas casas, os democratas terão mais espaço para conduzir investigações sobre temas de interesse do partido, inclusive com a possibilidade de emitir intimações.

A nova composição também permite que a oposição barre indicações judiciais feitas por Trump, inclusive em uma eventual vaga na Suprema Corte.

Por outro lado, o poder de veto presidencial e a exigência de 60 votos para aprovar a maior parte das propostas no Senado devem dificultar a aprovação de medidas prioritárias dos democratas.

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