Netanyahu rejeita Estado Palestino após declarações de Reino Unido, Canadá e Austrália
Reino Unido e Canadá foram os primeiros países do G7 a reconhecer; nos últimos meses, diversos países tradicionalmente aliados de Israel deram o passo simbólico

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu neste domingo (21) que nunca haverá um Estado palestino e que Israel ampliará seus assentamentos na Cisjordânia. O discurso aparece como uma resposta ao reconhecimento oficial da soberania palestina por parte do Reino Unido, Canadá e Austrália.
O premiê israelense reagiu ao reconhecimento do Estado da Palestina pelos três países, oficializado neste domingo (21) — decisão considerada histórica, mas de caráter simbólico.
"Tenho uma mensagem clara para esses dirigentes que reconheceram um Estado palestino depois do horrendo massacre de 7 de outubro: vocês estão dando uma enorme recompensa ao terrorismo", afirmou Netanyahu em declarações emitidas por seu gabinete.
"E tenho outra mensagem para vocês: isso não acontecerá. Não será estabelecido nenhum Estado palestino a oeste do rio Jordão", acrescentou.
Portugal também reconheceu o Estado Palestino
Portugal reconheceu o Estado palestino, anunciou, neste domingo (21), o ministro das Relações Exteriores Paulo Rangel.
"O reconhecimento do Estado da Palestina é, portanto, o cumprimento de uma política fundamental, coerente e amplamente consensual", declarou Rangel a jornalistas em Nova York antes da Assembleia Geral da ONU, que começa na segunda-feira.
"Portugal defende a solução de dois Estados como o único caminho para uma paz justa e duradoura, que promova a convivência e as relações pacíficas entre Israel e Palestina", acrescentou.
Ameaça à Cisjordânia
Netanyahu prometeu ampliar os assentamentos judaicos nos territórios ocupados da Cisjordânia. Em resposta ao anúncio das grandes potências, o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, declarou que “o reconhecimento é uma recompensa aos terroristas assassinos e exige medidas imediatas: a rápida aplicação da soberania na Judeia e Samaria”, termo que designa a Cisjordânia.
Ben Gvir pertence ao partido Poder Judaico e pediu “o desmantelamento completo da Autoridade Palestina”.
Já o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que também pediu reiteradamente a anexação da Cisjordânia, declarou que é necessário “eliminar permanentemente da agenda a insensatez de um Estado palestino”.
“Os dias em que o Reino Unido e outros países determinavam nosso futuro terminaram”, declarou na rede social X, que pertence à legenda de extrema direita Partido Sionista Religioso.
Guerra em Gaza
Israel iniciou na última terça-feira (16) uma ampla ofensiva militar terrestre e aérea para tomar a Cidade de Gaza. Na terça-feira, uma comissão de investigação independente da ONU concluiu que Israel comete genocídio contra os palestinos em Gaza, o que o governo israelense nega.
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando milicianos islamitas mataram 1.219 pessoas, a maioria civis, em Israel, segundo dados oficiais.
A campanha de retaliação israelense matou mais de 65.200 palestinos na Faixa de Gaza, também em sua maioria civis, segundo números do Ministério da Saúde do território - governado pelo Hamas -, que a ONU considera confiáveis.
*Com AFP
(Sob supervisão de Cândido Henrique Silva)
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



