Ex-presidente da Coreia do Sul é condenado a mais 30 anos de prisão
Yoon Suk Yeol foi considerado culpado por operação que, segundo a Promotoria, tentou "fabricar condições de guerra"

O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi condenado nesta sexta-feira (12) a mais 30 anos de prisão por envolvimento em uma operação de envio de drones à Coreia do Norte. Segundo a Promotoria, a ação tinha como objetivo criar um cenário de tensão militar que justificasse a decretação da lei marcial no país, anunciada por Yoon em dezembro de 2024.
A sentença foi proferida pelo Tribunal Distrital Central de Seul. Os promotores sustentaram que o ex-presidente tentou "fabricar condições de guerra" com o uso das aeronaves não tripuladas, colocando em risco a segurança nacional e agravando as tensões com o regime norte-coreano.
De acordo com a acusação, alguns dos drones enviados ao território vizinho caíram durante a operação, o que teria provocado o vazamento de informações sensíveis. A agência sul-coreana Yonhap informou que os investigadores também apontaram que a iniciativa contribuiu para elevar o nível de hostilidade entre os dois países.
Esta é a segunda condenação de grande repercussão contra Yoon. Em fevereiro, ele recebeu pena de prisão perpétua por liderar uma insurreição relacionada à tentativa de impor a lei marcial e restringir as atividades da Assembleia Nacional. O ex-presidente recorreu da decisão, alegando que suas ações foram tomadas "única e exclusivamente pelo bem da nação".
A defesa também rejeita as acusações relacionadas aos drones. Os advogados afirmam que Yoon não autorizou nem aprovou a operação e sustentam que a ação militar foi uma resposta aos frequentes envios de balões com lixo lançados pela Coreia do Norte em direção ao território sul-coreano naquele período.
Os defensores classificam as acusações do Ministério Público como "especulativas e falsas" e argumentam que a operação se enquadrava como legítima defesa, sem qualquer ligação com a posterior decretação da lei marcial.
O caso aprofunda a crise política que levou ao impeachment de Yoon e à sua destituição do cargo. Após sua saída, eleições antecipadas levaram ao poder o atual presidente, Lee Jae Myung. Enquanto isso, os voos de drones seguem como um dos principais focos de tensão entre as duas Coreias, que permanecem tecnicamente em guerra desde o armistício que encerrou os combates da Guerra da Coreia, em 1953, sem a assinatura de um tratado de paz definitivo.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



