Mineira morta pelo ex na Irlanda pediu que suspeito buscasse ajuda psiquiátrica

Júri escuta transcrições de gravações de conversas entre Miller Pacheco e Bruna Fonseca; acusado teria filmado corpo da vítima após cometer crime

Miller Pacheco é acusado de matar sua ex-namorada, a mineira Bruna Fonseca

Continua nesta terça-feira (11) o julgamento do mineiro Miller Pacheco, de 32 anos, acusado de assassinar a ex-namorada por ciúme na Irlanda em 2023. Segundo informações do portal irlandês The Journal, uma mensagem gravada pela vítima, e exibida durante a audiência revelou que a também mineira Bruna Fonseca, de 28 anos, teria implorado ao homem acusado de seu assassinato que buscasse ajuda psiquiátrica.

O júri ouviu gravações que Bruna havia feito de conversas entre ela e Miller. As interações teriam ocorrido entre 17 e 20 de dezembro de 2022, dias antes do crime, registrado em 1º de janeiro de 2023.

Em uma das conversas, a mulher afirmou que o ex-namorado era “obcecado por tristeza” e o acusou de tentar manipulá-la constantemente. Bruna disse ainda que Miller sentia um “amor doentio” e aconselhou o homem a procurar ajuda psiquiátrica. “Caso contrário, todos os seus relacionamentos serão assim. Quero ser solteira e você não me deixa. Qual é o outro caminho? Ir para um convento? Virar freira?”, disse. A mulher ainda incentivou Miller a perceber que “não existe apenas Bruna no mundo”.

Em outras conversas com o ex-namorado, Bruna promete pagar a passagem aérea do homem de volta para o Brasil. Ela afirma que pretendia “seguir em frente” após o término do relacionamento e recomendou que Miller fizesse o mesmo. Durante as mensagens, Bruna ainda disse se sentir culpada por querer o fim da relação. “Miller, procure ajuda. Pelo amor de Deus. Você está se lamentando e se fazendo de vítima. Eu te destruí, mas você quer continuar se destruindo?”

A vítima sugere que o ex-namorado é um homem bonito e que conseguirá estabelecer outros relacionamentos. “Você não quer aceitar que acabou. Você encontrará outra pessoa que te valorizará.”

Nas gravações ouvidas pelo júri, Bruna relatou o receio de terminar o relacionamento com o acusado. A mulher reclamou de “ter que ser perfeita 24 horas por dia” e afirmou que temia que Miller tirasse a própria vida.

“Não consigo viver assim. Está errado. Ao menor sinal de que não vai dar certo, você diz: ‘Vou me matar’. Tenho que ser perfeita 24 horas por dia. Durante os oito meses [de separação], eu só falava com você porque acreditava que, se não falasse, você não acordaria na manhã seguinte”, disse Bruna em uma das conversas com Miller.

Novamente, a mulher sugeriu que o ex se tratasse e implorou para que o acusado a esquecesse. “Estou te dizendo para procurar tratamento. Por favor, me deixe ir, me deixe ir, me deixe ir.”

Em resposta a Bruna, Miller chegou a dizer que sentia “ódio” da mulher após descobrir que a vítima tinha um encontro marcado com outro interesse amoroso. O homem ainda a acusou de não pensar no bem-estar dele ao supostamente traí-lo.

Durante o julgamento, o júri também ouviu o depoimento da patologista forense assistente Margaret Bolster. Ela afirmou que Bruna Fonseca morreu em decorrência de ferimentos compatíveis com estrangulamento manual. Além disso, a vítima apresentava mais de 60 ferimentos externos e internos na testa, couro cabeludo, mãos, braços e membros inferiores.

A família de Bruna viajou à Irlanda para acompanhar o julgamento de Miller Pacheco. O Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores, também acompanha a audiência.

Quem era a vítima?

Bruna era bibliotecária formada pelo Centro Universitário de Formiga, em Minas Gerais, (UNIFOR-MG) e estava há quase quatro meses na Irlanda para um intercâmbio. O jornal irlandês Independent informou que ela trabalhava como faxineira no Mercy University Hospital.

A vítima foi para a Europa após terminar o seu relacionamento com Miller. Porém, o homem ainda decidiu embarcar para a Irlanda para reatar a relação. Segundo amigos da vítima, o casal chegou a ficar junto por alguns dias, mas terminaram novamente.

Miller não aceitou o fim do relacionamento, e a mulher temia que ele se machucasse, pois indicava possibilidade de automutilação ou autoextermínio. Marcela Fonseca, prima de Bruna, que vive na Irlanda desde 2018, contou em depoimento que a vítima tentava fazer o ex voltar ao Brasil.

Dinâmica do crime

O The Irish Sun afirmou que, no dia do crime, Bruna estaria em uma festa de Réveillon, onde beijou um homem. Miller Pacheco, que não aceitava o fim do relacionamento, também estava no local, observando a jovem.

Após a festa, Bruna e Miller foram para o apartamento do homem, no centro da cidade de Cork, onde realizariam uma chamada de vídeo com familiares e o cachorro do ex-casal, que havia ficado no Brasil. Chegando ao local, os dois começaram a discutir.

Em depoimento à polícia irlandesa, Marcela Fonseca contou ter recebido uma ligação de um amigo de Miller chamado Pedro, que vivia no Brasil, por volta das 6h. O homem disse que conversou pelo telefone com o acusado e que Bruna poderia ter sido morta.

Pedro relatou que o amigo havia filmado o corpo de Bruna morta e mostrado a ele durante uma ligação por vídeo chamada. “Não conseguíamos acreditar, então ele (Miller Pacheco) foi e nos mostrou Bruna deitada de bruços. Ela estava coberta com um cobertor. Felipe virou o rosto para não olhar. O que me lembro é que ela estava deitada na cama. Seu cabelo cobria o rosto e havia um cobertor que chegava até os ombros”, afirmou Pedro Enrique.

Marcela entrou em contato com outra amiga, Juliana Souza, e as duas foram até o endereço de Miller. Lá, encontraram o homem na porta segurando uma fronha branca. A prima da vítima questionou Miller se ele havia matado Bruna e, segundo ela, o homem sorriu e disse: “Não fui eu”. Ela então perguntou novamente se ele havia cometido o crime e como. Desta vez, o acusado então afirmou que havia “sufocado” a ex-namorada.

A polícia irlandesa foi chamada ao local. Vizinhos também contaram ter ouvido gritos vindos de um apartamento. Bruna foi encontrada pelos agentes de segurança em cima da cama e, mesmo com os esforços para reanimá-la, morreu antes da chegada dos paramédicos. Inicialmente, Miller alegou ter sido atacado pela mulher. Porém, confessou o crime e foi preso.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Maic Costa é jornalista, formado pela UFOP em 2019 e um filho do interior de Minas Gerais. Atuou em diversos veículos, especialmente nas editorias de cidades e esportes, mas com trabalhos também em política, alimentação, cultura e entretenimento. Agraciado com o Prêmio Amagis de Jornalismo, em 2022. Atualmente é repórter de cidades na Itatiaia.

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