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Segundo Pedro, na véspera de Ano-Novo de 2022 para 2023,
A situação preocupou Pedro e Felipe José Costa Peroni, outro amigo de Pacheco, e os dois, que estavam em uma festa de Réveillon no Brasil, ligaram para Miller.
Pedro contou que estava difícil entender o que o amigo dizia, mas que poucos minutos após o início da chamada, Miller revelou que havia matado Bruna.
“Não conseguíamos acreditar, então ele (Miller Pacheco) foi e nos mostrou Bruna deitada de bruços. Ela estava coberta com um cobertor. Felipe virou o rosto para não olhar. O que me lembro é que ela estava deitada na cama. Seu cabelo cobria o rosto e havia um cobertor que chegava até os ombros”, afirmou Pedro Enrique.
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Pedro então ligou para uma prima de Bruna que morava em Cork à época e contou a ela o ocorrido. A mulher foi responsável por chamar a polícia.
O homem disse, ainda, que Miller nunca havia se mostrado uma pessoa violenta e que ele havia “vendido tudo” e “deixado tudo para trás” para ir à Irlanda atrás de Bruna.
Segundo ele, o amigo se mostrava deprimido e pessoas próximas temiam que ele tirasse a própria vida.
Felipe José Costa Peroni também prestou depoimento e afirmou que às 2h15 de 1º de janeiro de 2023, recebeu uma mensagem de Pacheco que dizia: “Sinto muito — não há como voltar para o Brasil”.
“Lembro-me de ter dito a ele que deveria voltar ao Brasil e ele disse que ele havia ‘matado Bruna’. Ficamos em choque. Não conseguíamos acreditar na notícia”, afirmou.
“Estávamos com medo de que ele se suicidasse. Ele estava com as mãos na testa. Ele balançava a cabeça e chorava”, completou Felipe.
‘Ele disse que queria matá-lo’
Katie Silva, outra testemunha, que conheceu Miller Pacheco em uma aula de inglês em Cork, em dezembro de 2022, contou que havia visto um lado agressivo do homem. Segundo ela, no Natal daquele ano, ao falar com o acusado, o sentiu “com raiva, chateado e frustrado” com o término do relacionamento com Bruna, que havia sido apresentada a ela em outra ocasião.
“Ele a xingou — não quero dizer quais nomes. Disse que Bruna não se importava com os sentimentos dele”, afirmou.
Silva revelou, ainda, que Pacheco havia visto mensagens de Bruna com um homem argentino e que afirmou querer “matá-lo”.
“Ele disse que queria matá-lo. Eu lhe disse para seguir em frente. Ele perguntou se Bruna tinha estado com mais alguém. Eu disse: ‘Ela é solteira, deixe-a em paz’. Eu não o conheci (o argentino), mas Bruna falou comigo sobre ele”, contou ela.
O argentino em questão é Alamo Morais, que confirmou ter dançado com Bruna e a beijado na festa de Réveillon que antecedeu a morte da mulher. Segundo ele, em determinado momento notou um homem olhando fixamente para ele na festa.
“Eu não entendi. No Brasil, as pessoas não ficam olhando para você sem motivo. Normalmente, em uma festa, as pessoas não ficam olhando para você sem motivo. Eu estava beijando-a, abraçando-a e conversando sobre o Ano Novo. Naquele momento, eu estava feliz e me divertindo”, relatou.
Também foi ouvida uma técnica de radiologia do Mercy University Hospital, onde Bruna trabalhava. Segundo ela, no Natal de 2022, foi abordada por um homem que mostrou uma foto de Fonseca e perguntou se ela a conhecia. Ela afirmou que o sujeito estava “rondando” o hospital e parecia “angustiado e errático”.
O julgamento continua nesta sexta-feira (16) perante um júri composto por sete mulheres e cinco homens. A presidência do júri é da juíza Siobhan Lankford.