'Midterms': como funcionam as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos?
Votação será na próxima terça-feira (3) e vai renovar a Câmara e um terço do Senado dos EUA; pleito acontece na metade do mandato presidencial de Donald Trump, que ocupa a Casa Branca até janeiro de 2029

As midterms — eleições de meio de mandato nos Estados Unidos — serão realizadas na próxima terça-feira (3). A votação renova quase todo o Congresso norte-americano e acontece na metade do mandato presidencial de Donald Trump.
Os deputados estadunidenses têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis. Assim, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. A disputa, então, acontece entre todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.
O sistema eleitoral dos Estados Unidos tem diferenças em relação ao do Brasil. No Congresso, por exemplo, o Senado e a Câmara dos Representantes seguem regras diferentes.
- Donald Trump diz que respeitará resultado das 'midterms' nos EUA 'se eleições forem honestas'
- Trump volta a prometer US$ 5 mil a cidadãos caso republicanos vençam eleições nos EUA
No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população.
Cada deputado representa uma região, chamada de distrito eleitoral. Entenda:
- Os distritos são caracterizados por áreas dentro de cada estado que podem reunir cidades inteiras ou apenas parte delas.
- O 11º distrito de Nova York, por exemplo, reúne somente alguns bairros da cidade de Nova York.
- Esses distritos são desenhados com base na população. Em geral, cada um deve ter um número parecido de habitantes.
- Ou seja, cada deputado representa uma fatia semelhante da população dentro do estado.
- Como o número de deputados de cada estado depende da população, estados mais populosos têm mais representantes na Câmara.
Antes das midterms, os partidos realizam eleições primáriaspara escolher os candidatos que vão disputar cada cargo. Assim, nas eleições oficiais, a disputa acaba concentrada em dois candidatos na maioria dos estados e distritos: um republicado e um democrata que venceram as primárias nos respectivos partidos.
Ainda é possível que candidatos independentes participem das eleições. Mas, no geral, eles têm menos visibilidade e recebem menos votos.
Além disso, cada estado é responsável por apurar os próprios votos. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o país.
Em geral, a apuração começa logo após os locais de votação se fecharem. O horário varia de estado para estado:
- Em Nova York, os eleitores têm até as 21h.
- Na Flórida, a votação termina as 19h.
- No Tennessee, o horário varia de acordo com o condado.
Os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite do dia 3 de novembro. Mas, pode levar dias até que seja possível saber qual partido terá o controle da Câmara e do Senado.
Voto antecipado
A votação ainda pode ser feita pelo correiro em todos os 50 estados. Desses, 37 estados e Washington, D.C., permitem que os eleitores solicitem uma cédula sem apresentar justificativa, segundo levantamento do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral.
De forma geral, os eleitores recebem a cédula pelo correio, entre 30 a 45 dias antes do dia das eleições, preenchem o documento e o enviam de volta dentro do prazo estabelecido.
Outra forma de voto antecipado é o eleitor ir pessoalmente a um local de votação oficial semanas antes do dia das eleições e vota nas urnas/cédulas presenciais, sem precisar do correio.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



