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Espanha intensifica identificação de vítimas de colisão de trens que deixou 69 mortos

Famílias seguem à procura de parentes desaparecidos dois dias após a tragédia; Pelo menos 70 pessoas foram registradas como desaparecidas

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Pelo menos 30 mortos em colisão de trens na Espanha • Reprodução

A Espanha intensificou nesta sexta-feira (30) os trabalhos de identificação das vítimas da colisão entre dois trens de alta velocidade que deixou pelo menos 69 mortos e 110 feridos. Dois dias após o acidente, familiares de passageiros ainda aguardam notícias de parentes desaparecidos, em meio à angústia e à incerteza sobre o destino das vítimas.

Na cidade de Toledo, onde está concentrada parte dos trabalhos de identificação, dezenas de familiares aguardam informações sobre os passageiros. Para auxiliar no reconhecimento, parentes estão fornecendo amostras de DNA às equipes responsáveis.

O presidente da região de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, informou que há 70 registros de desaparecimento. Segundo ele, as notificações podem coincidir com pessoas que morreram no acidente, mas ainda não foram identificadas.

As equipes de resgate também enfrentam dificuldades para recuperar os corpos. Além dos corpos completos, foram recolhidas até 31 bolsas mortuárias com fragmentos humanos, o que aumenta a complexidade do trabalho de identificação.

Até a quinta-feira (29), haviam sido realizadas 48 autópsias, e cinco vítimas tinham sido oficialmente identificadas e comunicadas aos familiares, segundo o órgão judicial responsável pela operação.

Em reunião com equipes de emergência no município de Urda, onde ocorreu o acidente, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o governo trabalha para acelerar a identificação e fornecer informações confiáveis às famílias.

"Estamos trabalhando de maneira incansável, todos os poderes do Estado (...) para tentar oferecer e fornecer o máximo de informação quanto antes, de forma fidedigna, aos familiares das vítimas", declarou.

Como aconteceu a colisão

O acidente ocorreu na manhã de quarta-feira (28), quando um trem da empresa estatal Renfe, que fazia o trajeto entre Madri e Sevilha, atingiu em alta velocidade um trem da companhia Iryo que estava parado nos trilhos, a cerca de 150 quilômetros ao sul da capital espanhola.

As equipes de emergência continuam as buscas entre os destroços dos vagões atingidos. Com o auxílio de guindastes e cães farejadores, os profissionais trabalham na retirada de possíveis vítimas dos ferros retorcidos.

Apesar dos avanços, as autoridades não descartam que o número de mortos aumente.

Investigação apura falha antes do acidente

As causas da colisão continuam sendo investigadas. Segundo o ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, os acontecimentos teriam começado com uma falha de informática que obrigou vários trens a interromper a circulação nos trilhos.

De acordo com os primeiros indícios, uma ordem equivocada teria sido emitida pelo centro de controle ferroviário de Madri para que o trem da Renfe retomasse a marcha em velocidade normal.

A autoridade independente responsável pela investigação estima que a colisão aconteceu em uma velocidade entre 160 km/h e 200 km/h.

O episódio aumentou as preocupações sobre a segurança do sistema ferroviário de alta velocidade espanhol. Em janeiro, outro acidente envolvendo dois trens de alta velocidade deixou 46 mortos.

Governo enfrenta pressão por respostas

Diante da repercussão da tragédia, Pedro Sánchez reconheceu que a confiança da população no sistema ferroviário de alta velocidade foi abalada.

O governo também enfrenta cobranças da oposição de direita, que exige explicações e responsabilização política pelo acidente.

O primeiro-ministro afirmou que a prioridade é esclarecer as causas da colisão e apresentar medidas para evitar que uma tragédia semelhante volte a acontecer.

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