Delcy Rodríguez promete 'eleições limpas' na Venezuela, mas não anuncia data
Rodríguez governa país sul-americado sob forte pressão dos Estados Unidos, após uma operação militar comandada pelo presidente Donald Trump ter capturado e prendido Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores

A presidente interina na Venezuela, Delcy Rodríguez, se pronunciou nesta quinta-feira (29). Ela anunciou que haverá eleições limpas no país, sem anunciar uma data. A declaração acontece poucos dias depois do retorno da líder opositora María Corina Machado à Venezuela.
Rodríguez governa o país sul-americado sob forte pressão dos Estados Unidos, após uma operação militar comandada pelo presidente Donald Trump ter capturado e prendido Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores.
"Já disse: haverá eleições, todas as previstas em nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha", afirmou Rodríguez.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a presidente interina assegurou que as reformas que promove nos sistemas Judiciário e eleitoral levarão o país à "formação de uma autoridade eleitoral aceita por todos".
"Venezuelanas, venezuelanos, peço que me julguem pelos fatos. Menos brigas, mais soluções", acrescentou Rodríguez. Além disso, ela afirmou que "o exercício responsável da política está garantido para todas e todos, as portas estão abertas".
Na postagem, Delcy Rodríguez escreveu:
"Venezuela tem um caminho claro.
Avançamos rumo a uma transformação democrática, econômica e social, com reformas à justiça, diálogo e decisões que se traduzam em melhorias concretas na qualidade de vida dos venezuelanos.
Sei que falta por fazer, mas o compromisso é firme: corrigir o que está mal, proteger o que funciona e construir um país com oportunidades para todos.
O renascer da Venezuela se demonstra com fatos!"
María Corina Machado está impedida de concorrer a cargos políticos e, por isso, não pôde disputar as eleições presidenciais de 2024.
A restrição ratificada pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) em 2024, foi justificada pelas autoridades com acusações de irregularidades patrimoniais e pelo apoio da opositora às sanções estadunidenses contra o país.
Ela voltou à Venezuela no último domingo (25), após 10 meses no exílio. A líder opositora e vencedora do Prêmio Nobel da Paz denunciou fraude nas eleições de 2024 e reivindicou a vitória do candidato Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha desde setembro de 2024.
Influência dos EUA na Venezula
Após a captura e prisão de Nicolás Maduro e Cilia Flores, a influência dos Estados Unidos na Venezuela aumentou, especialmente no setor energético.
Com a maior reserva de petróleo comprovada do mundo, a indústria petrolífera estatal (PDVSA) passa por uma ampla reestruturação, impulsionada pelo retorno de grandes multinacionais de energia americanas e ocidentais:
- Abertura de Mercados: flexibilização do embargo econômico permitiu a retomada do fluxo de exportação de petróleo para refinarias norte-americanas, restabelecendo laços comerciais interrompidos durante o regime anterior.
- Privatização e Reconstrução: planos de privatização parcial e concessões na Bacia do Orinoco ganharam força sob a supervisão indireta de organismos multilaterais e do Tesouro dos EUA, visando atrair os bilhões de dólares necessários para recuperar a infraestrutura devastada do país.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



