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Israel faz operação militar no maior hospital de Gaza

Mais de 2 mil pessoas estavam no hospital, que é o maior do território palestino

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Militares de Israel buscam alvos do Hamas dentro do maior hospital de Gaza
Militares de Israel buscam alvos do Hamas dentro do maior hospital de Gaza • CNN/ Reprodução

O Exército de Israel realizou uma operação militar no hospital Al Shifa, na Faixa de Gaza, em busca de alvos do Hamas, na noite dessa terça-feira (14). Segundo a ONU, mais de 2 mil pessoas - entre pacientes, profissionais da saúde e moradores deslocados pelo conflito - estavam no hospital, que é o maior do território palestino.

Israel acusa o Hamas de manter um centro de comando embaixo do hospital e usar civis como "escudos humanos" durante a guerra. O Al Shifa está localizado no Norte da Faixa de Gaza, onde se concentram os combates entre Israel e o grupo islâmico que governa o território palestino.


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De acordo com infomações da AFP, os soldados israelenses exigiram que todos os homens com mais de 16 anos saíssem dos prédios com as mãos para o alto e se rendessem. Alguns militares usavam capuz e atiravam para cima.

Tiros para o alto

Na manhã desta quarta (15), filas de palestinos seguiram para o pátio do hospital. Dentro do complexo, os soldados atiram para o alto de quarto em quarto, em busca de combatentes do Hamas - de acordo um jornalista que está refugiado em Al Shifa. Mulheres e crianças assustadas foram revistadas. Algumas tiveram que passar por uma câmera de reconhecimento facial.

Segundo informações da CNN, tropas israelenses informaram ter matado combatentes do Hamas durante a operação e que armas foram encontradas dentro do complexo de Al-Shifa. “Antes de entrar no hospital, as nossas forças foram confrontadas com dispositivos explosivos e esquadrões terroristas, seguindo-se combates nos quais os terroristas foram mortos”, disseram os militares israelenses, sem especificar exatamente onde ocorreu o tiroteio.

Tanques israelenses entraram no complexo médico e foram estacionados diante de várias unidades, incluindo o pronto-socorro. Nos últimos dias, os geradores pararam de funcionar por falta de combustível, consequência do cerco imposto por Israel desde 9 de outubro.

Mortes de bebês

Ao menos nove bebês prematuros morreram após serem retirados de suas incubadoras. Vinte e sete pacientes que estavam no CTI faleceram, porque não tinham um respirador operacional, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. Uma vala comum foi aberta no local, onde já foram enterrados 179 corpos, informou o diretor do hospital.

O Hamas nega manter uma base militar de baixo do hospital Al-Shanifa e já pediu visitas de comissões de investigação internacionais. Eles acusam o Exército israelense de cometer "um crime de guerra e um crime contra a humanidade".

O Exército israelense afirma que enviou equipes médicas e soldados que falam árabe para a operação em uma "área específica" de Al Shifa. Também disse que entregou "incubadoras, comida para bebês e material médico" durante a operação militar.

Repercussão internacional

O diretor do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Martin Griffiths, afirmou que está "horrorizado" com as informações sobre a operação milita no hospital. "A proteção dos recém-nascidos, pacientes, profissionais da saúde e de todos os civis deve ter precedência sobre todas as outras questões", escreveu na rede social X.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou em um comunicado que "está extremamente preocupado com o impacto para os pacientes e feridos, profissionais da saúde e civis". 

No dia 7 de outubro, o Hamas promoveu um ataque surpresa a Israel que matou 1.200 pessoas, a maioria civis, segundo as autoridades israelenses. Desde então, o Exército bombardeia a Faixa de Gaza diariamente. Mais de 11 mil palestinos morreram nos ataques, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.