Irã abandona negociações com os EUA após ameaças de Trump sobre Estreito de Ormuz
Delegação iraniana deixou encontro na Suíça em protesto contra declarações do presidente norte-americano, que sugeriu cobrar pedágios sobre o petróleo

A delegação do Irã abandonou neste domingo (21) a mesa de negociações com os Estados Unidos, na Suíça, em protesto contra declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que voltou a ameaçar o país e sugeriu a possibilidade de os EUA assumirem o controle do Estreito de Ormuz.
De acordo com fontes próximas às negociações ouvidas pela agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Iraniana, os representantes iranianos deixaram a sala após as declarações de Trump, feitas nas redes sociais e em entrevista à emissora Fox News.
Em meio ao início da cúpula diplomática de Bürgenstock, na Suíça, Trump afirmou que o Irã enfrentaria consequências severas caso voltasse a bloquear o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.
“Eu disse a eles que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Nem mesmo poderão voltar para o maldito país deles”, declarou o presidente dos Estados Unidos. Trump também voltou a defender a possibilidade de Washington assumir o controle da passagem marítima e cobrar taxas sobre o petróleo transportado pela região.
“O Irã atuou como cobrador de pedágio durante o conflito. Poderíamos assumir o controle do estreito, se necessário. Eu poderia arrasar o país se quisesse. E, se eles não chegarem a um acordo, nós cobraremos os pedágios”, afirmou. O republicano acrescentou ainda que poderia se tornar o “anjo da guarda do estreito” e ficar com 20% do petróleo que transita pela rota.
Ameaças sobre o Líbano
Durante suas declarações, Trump também responsabilizou o Irã pela escalada recente da violência no Líbano. O presidente norte-americano acusou Teerã de manter apoio estratégico ao grupo Hezbollah e exigiu que o país interrompa suas ações na região.
“O Irã deve deter imediatamente seus representantes bem pagos no Líbano para que deixem de causar problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, mas com ainda mais intensidade”, advertiu.
Reação iraniana
Em resposta, o principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, criticou as declarações de Trump e afirmou que os Estados Unidos devem agir com cautela. “Os Estados Unidos devem ter cuidado com suas declarações, porque não levamos a sério as ameaças dos americanos”, disse Qalibaf, em declaração feita na Suíça.
O negociador questionou ainda a eficácia da estratégia de pressão adotada por Washington. “Eles não percebem que, se suas ameaças fossem eficazes, não teríamos chegado à situação de desespero em que nos encontramos hoje?”, afirmou.
Qalibaf também ressaltou que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para responder a qualquer ação dos Estados Unidos. “Nossas forças armadas estão preparadas para responder de diferentes maneiras. Quanto mais eles falam, mais nós agimos”, declarou.
Condições para avanço das negociações
Um integrante da delegação iraniana afirmou à televisão estatal IRIB que a continuidade das negociações depende da implementação dos compromissos discutidos entre as partes. Segundo o representante, os principais pontos incluem a cessação das hostilidades no Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz e o desbloqueio de ativos iranianos atualmente sob embargo.
“Se não for aplicado, especialmente no que diz respeito ao Líbano — um dos principais pontos em que se deve declarar o fim da guerra —, os próximos assuntos não serão tratados”, afirmou o negociador.
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