Empresa petrolífera ligada a Donald Trump prepara perfuração sem autorização na Groenlândia
Denúncia foi divulgada pelo governo groenlandês, afirmando que atividade não foi autorizada; movimentação fez ressurgir o debate sobre a presença estadunidense na ilha ártica

O governo da Groenlândia divulgou que o Ministério da Indústria e dos Recursos Mineiras foi avisado que a empresa petrolífera ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, White Flame Energy, havia transferido equipamentos de perfuração embalados e armazenados de Tasiilaq, na Região Sudoeste, para Nerlerit Inaat, na costa de um dos muitos fiordes do mar da Groenlândia, sem autorização das autoridades locais.
Ao todo, 15 contêineres e máquinas pesadas de construção no aeródromo de Nerlerit Inaat. A operação marítima pode marcar o início da exploração de petróleo na península de Jameson Land por um conglomerado empresarial voltado para interesses estadunidenses. Segundo o ministério, o objetivo era desembarcar os equipamentos em Nunap Qeqqa (Jameson Land) para realizar perfurações.
A movimentação fez ressurgir o debate sobre a presença estadunidense na ilha. O governo groenlandês informou, ainda, que uma advertência formal será enviada à empresa responsável. "O detentor da licença não havia obtido as permissões necessárias da autoridade competente antes de iniciar a operação", informou.
Exploração de petróleo na região
Em 2014 e 2018, a White Flame Energy adquiriu três licenças, que ainda são válidas, para explorar e eventualmente produzir petróleo na região. Esses direitos se tornaram ainda mais relevantes após o governo da Groenlândia suspender, em 2021, a emissão de novas licenças de exploração petrolífera.
Três anos depois, a empresa foi comprada pela britânica 80 Mile PLC que, recentemente, estabeleceu parceiria com a Greenland Energy, empresa estadunidense criada em 2025 por pessoas próximas a Donald Trump, entre elas Larry Sweet e Carol Craig — essa última também participa do desenvolvimento do sistema antimísseis Golden Dome, que Trump pretende instalar na Groenlândia.
Nas últimas semanas, a Greenland Energy afirmou ter avançado nos preparativos para o que considera um dos maiores programas de exploração terrestre já realizados na Groenlândia em décadas. Representantes de empresa estimam que a área a ser explorada, Jameson Land, contenha aproximadamente 13 bilhões de barris de petróleo, equivalentes a aproximadamente US$1 trilhão (cerca de R$5,4 trilhões).
A companhia prevê que a primeira perfuração, com profundidade de 3.500 metros, deve começar em outubro.
Interesse de Donald Trump
A retomada do projeto em Jameson Land coincide com novas manifestações públicas de Trump sobre o território.
- Em 1º de agosto, Donald Trump publicou na rede Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando o rosto dele observando um vilarejo groenlandês, acompanhada da frase: "Hello Greeland" ("Olá, Groenlândia"). Um dia antes, o republicano afirmou que o território autônomo estaria sob controle dos Estados Unidos antes do fim do mandato, em 2029.

As declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia, expondo o desejo dele em controlar o território, acontecem desde o fim do ano passado citando, inclusive, a possibilidade de comprar a ilha do ártico.
No início deste ano, o presidente dos Estados Unidos chegou a afirmar que a anexação do país com a Groenlância aconteceria "de alguma forma ou outra". Enquanto isso, o premiê da ilha, Jens-Frederik Nielse, reiterou, na época, que não aceitaria o desejo dos Estados Unidos de controlar o território ártico "sob nenhuma circunstância".
Donald Trump já havia se recusado a descartar uma ação militar para adquirir a Groenlândia, mas passou a defender um acordo-quadro de longo prazo durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no início de 2026.
Mesmo assim, autoridades do governo seguem deixando em aberto a possibilidade de medidas mais agressivas, com o mesmo argumento de que a Groenlândia é essencial para a segurança dos Estados Unidos.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



