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EUA: chefe de prisões do Tennessee renuncia após tentativa frustrada de executar Christa Pike

Governador do estado indicou que um comissário interino será anunciado posteriormente; condenada por homicídio ficou inconsciente e precisou ser intubada após sobreviver a duas doses de substância letal

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Christa Pike
Christa Pike • Reprodução

O chefe do Departamento de Correções do Tennessee, Frank Strada, deixará o cargo neste mês de outubro. A decisão divulgada neste sábado (3) acontece após Christa Pike sobreviver depois de uma tentativa frustrada de executá-la por injeção letal.

A tentativa de execução aconteceu na quarta-feira (30). Após o fracasso, a mulher de 50 anos está inconsciente, intubada e respirando com a ajuda de aparelhos. As informações sobre o estado de saúde dela foram divulgadas pelos advogados, em um documento enviado à Justiça na sexta-feira (2).

Em comunicado, Frank Strada afirmou que, embora acredite que o departamento tenha seguido corretamente o protocolo estabelecido, deixar o cargo "é do melhor interesse dos habitantes do Tennessee enquanto a investigação independente avança". Um comissário interino será anunciado posteriormente, segundo o gabinete do governador do Tennessee, Bill Lee.

"O comissário Strada atuou com integridade, e agradeço sua disposição em colocar os interesses dos habitantes do Tennessee em primeiro lugar durante este momento difícil", disse Lee em comunicado.

Foi a segunda vez neste ano que o estado não conseguiu executar um preso, motivando Lee determinar a suspensão das execuções no estado pelo restante de 2026. Ele também ordenou que seja feita uma investigação independente sobre o caso, que aconteceu na na prisão de segurança máxima de Riverbend, em Nashville.

Tentativa de execução frustrada: veja linha do tempo

  • 30/09/2026, às 19h27: Christa Pike estava amarrada à maca, com um acesso intravenoso inserido no braço, quando agentes penitenciários abriram a cortina da sala de execução.
  • 19h30: Execução começou logo após ela fazer uma declaração final: "Estou pronta para ser livre. Hoje é um dia feliz", disse Christa Pike. Neste momento, o conselheiro espiritual da condenada estava ao lado da maca, próximo à cabeça dela. Ele falou com ela e, em seguida, os dois cantaram uma música.
  • Minutos se passaram, ela levantou a cabeça e disse que o braço estava doendo. Um agente penitenciário na sala perguntou se era para a condenada sentir aquilo.
  • 19h37: ela suspirou. As autoridades penitenciárias não confirmaram o que isso significa.
  • 19h41: uma pedra ou peso de papel do tamanho aproximado de uma bola de golfe foi colocado sobre uma mureta que separa a sala onde Piike estava da câmara de execução, por onde o acesso intravenoso era abastecido.
  • 19h46: os agentes fecharam a cortina, bloqueando a visão dos presentes na sala de testemunhas para a câmara de execução. O conselheiro espiritual de Christa deixou a câmara e sentou-se brevemente com o advogado dela na sala destinada às testemunhas da imprensa.
  • 19h49: a cortina foi aberta novamente. O conselheiro espiritual voltou à câmara e ficou ao lado dela.
  • 19h56: cabeça de Pike se ergueu ligeiramente da maca e virou para o lado, ela seguiu respirando.
  • 20h06: autoridades fecharam a cortina novamente.
  • Durante os 40 minutos seguintes era possível ouvir Pike.
  • 20h22: advogado da condenada, Randy Spivey, exigiu acesso a um telefone para entrar em contato com outros advogados da equipe e logo exigiu que a execução fosse interrompida e que a detenta recebesse atendimento médico para salvar sua vida.
  • 20h50: Spivey obteve a confirmação de que uma ambulância estava a caminho.
  • 20h53: um anúncio pediu para que as testemunhas deixassem a área, a imprensa foi escoltada para fora.
  • 21h14: caminhões de bombeiros e ambulâncias chegaram em frente à prisão.

As informações são da Associated Press.

Condenação de Pike por homicídio

Christa Pike tinha 18 anos quando matou Colleen Slemmer, de 19, em 1995. Segundo a BBC, ela e o então namorado, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e assassinaram a jovem. Os três se conheceram em um acampamento de treinamento profissional para adolescentes considerados problemáticos.

Colleen foi encontrada com um pentagrama, símbolo associado a rituais satânicos, esculpido no peito, o que provocou grande repercussão na época. Pike teria acusado a vítima de insultá-la e tentar roubar seu namorado.

Duas pessoas que moravam no mesmo acampamento afirmaram posteriormente que Pike havia se gabado do assassinato e mostrado um pedaço do crânio da vítima, ainda segundo a BBC.

Um ano depois do crime, Pike foi condenada à pena de morte. Shipp, que tinha 17 anos na época, recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.

Christa Pike • Reprodução
Christa Pike • Reprodução
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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