Netanyahu rejeita plano para Gaza e aumenta divergências com Donald Trump
Primeiro-ministro israelense afirma que Hamas precisa ser completamente desarmado antes de qualquer retirada das tropas de Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo (9) o plano de 15 pontos para a Faixa de Gaza apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aceito pelo Hamas. A posição representa mais um ponto de divergência entre os dois aliados em meio à campanha eleitoral israelense.
Durante uma reunião de gabinete, Netanyahu afirmou que Israel não aceitará retirar suas tropas de Gaza enquanto o Hamas não entregar completamente suas armas.
“Israel rejeita o documento de 15 pontos. As FDI não realizaram nenhuma retirada até que o Hamas esteja efetivamente desarmado e continuarão neutralizando as ameaças contra nossas forças e nossos cidadãos”, declarou.
O plano apresentado por Trump prevê o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses de Gaza. A proposta é considerada uma etapa para a implementação de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
O Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, havia aceitado a proposta. Pelo acordo, o grupo entregaria suas armas a uma nova autoridade palestina responsável pela administração do território durante um período de transição.
Um integrante do gabinete político do Hamas, Basem Naim, pediu que Washington pressione o governo israelense para cumprir o acordo.
Segundo ele, os Estados Unidos deveriam impedir que Netanyahu e seus aliados utilizem questões políticas e eleitorais internas para bloquear a implementação do plano.
Netanyahu diz que mantém diálogo com Trump
Apesar de rejeitar pontos centrais da proposta, Netanyahu afirmou que Israel continua negociando com o governo americano.
O primeiro-ministro chamou Trump de seu “maior amigo na Casa Branca”, mas deixou claro que os dois governos não concordam em todas as questões relacionadas ao conflito.
“Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes nestas questões”, afirmou Netanyahu.
A relação entre os dois líderes já apresentou divergências em outros momentos recentes, inclusive durante os conflitos envolvendo Israel e o Irã.
Eleições aumentam pressão sobre Netanyahu
Netanyahu está em campanha pela reeleição nas eleições legislativas marcadas para 27 de outubro. O pleito será o primeiro realizado em Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a atual guerra na Faixa de Gaza.
Pesquisas eleitorais apontam uma disputa acirrada, com o partido de Netanyahu empatado ou atrás de adversários em alguns cenários.
O plano para Gaza também enfrenta resistência dentro da própria base política do primeiro-ministro. Setores conservadores e aliados de extrema direita são contrários a uma retirada das tropas israelenses e defendem uma postura mais rígida em relação ao Hamas.
Netanyahu vinha destacando durante a campanha a proximidade com Trump. O presidente americano adotou, desde seu primeiro mandato, medidas favoráveis a Israel, entre elas a transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém.
As divergências, porém, aumentaram em diferentes momentos. Em fevereiro, Trump apoiou Netanyahu durante a campanha militar contra o Irã. Dois meses depois, os dois governos entraram em desacordo diante da tentativa americana de negociar um cessar-fogo com Teerã, enquanto Netanyahu era contrário à iniciativa.
Desarmamento do Hamas é principal impasse
A principal divergência em relação ao novo plano está na forma e no momento do desarmamento do Hamas.
A proposta inicialmente previa uma retirada gradual das forças israelenses acompanhada pelo processo de desarmamento do grupo palestino. Israel rejeitou essa condição e defendeu que a entrega das armas ocorra antes da retirada das tropas.
Após uma reunião com Netanyahu na semana passada, o Conselho de Paz, órgão criado por Trump para ajudar na implementação do acordo, reforçou que Israel só deverá deixar o território depois de um desarmamento considerado completo.
Mesmo assim, Netanyahu afirmou que o Hamas precisa entregar todo o seu arsenal.
“Estamos falando de um desarmamento real, não de um desarmamento fictício”, declarou.
A resistência do governo israelense mantém em aberto a implementação do plano e aumenta a pressão sobre Washington para encontrar uma solução que seja aceita pelos dois lados.
*Com AFP News
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



