Governo Trump flexibiliza regras para que condenados recuperem direito ao porte de armas
Defensores da Segunda Emenda — que protege o direito dos cidadãos de manter e portar armas de fogo — comemoram decisão que pode beneficiar 330 mil pessoas no primeiro ano após regulamentação; medida é contestada por grupos que existem controle do porte de armas

O governo dos Estados Unidos, comandado pelo republicano Donald Trump, aprovou uma resolução que consolida o caminho para que pessoas condenadas pela Justiça e ex-presidiários possam recuperar o direito constitucional de possuir e portar armas de fogo. A estimativa é que, no primeiro ano após regulamentação, 330 mil pessoas deverão solicitar a licença ao Departamento de Justiça dos EUA.
Depois, o número pode aumentar para um milhão de requentes ao ano. A iniciativa é vista como uma vitória para os defensores da Segunda Emenda — que protege o direito dos cidadãos de manter e portar armas de fogo — mas é contestada por grupos que lutam por mais vigor no controle de armamentos e alertam sobre os riscos à segurança pública.
Hoje, cerca de 30 milhões de estadunidenses estão proibidos de possuir armas de fogo por condenações criminais, de acordo com Washington. Imigrantes sem regularização, criminosos sexuais registrados e violentos continuarão a ser impedidos de ter armas de fogo, segundo divulgado pelo Departamento de Justiça.
A justiticativa inicial para a aprovação da medida foi apresentada pelo recém-empossado procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche. "A Segunda Emenda não é um direito de segunda classe, e o governo federal não deve privar permanentemente os americanos de um direito constitucional, sem levar em consideração se eles representam um perigo para a segurança pública", argumentou.
Entretanto, a implementação da medida gerou resistência interna na própria estrutura governamental. A procuradora de Indultos, Liz Oyer, recusou-se a cumprir a determinação da gestão Trump e acabou sendo demitida do cargo. Em depoimento prestado no Congresso norte-americano, Oyer justificou sua posição de recusa: "Recusei-me a fazê-lo por preocupações com a segurança pública".
Mudança na legislação
Com a nova regra, caberá ao procurador-geral a responsabilidade de revisão de cada caso, levando em consideração alguns aspectos como antecedentes criminais, a reputação e a conduta da pessoa desde que foi proibida de ter armas de fogo.
A decisão altera um entendimento histórico na legislação dos Estados Unidos. Desde 1992, uma lei aprovada pelo Congresso estadunidense impedia o Bureau Federal de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) de processar e dar andamento a esse tipo de solicitação.
O cenário começou a ser alterado durante o segundo mandato de Donald Trump. Em abril do ano passado, o Departamento de Justiça publicou no Registro Federal uma lista contendo 22 nomes de pessoas que tiveram o direito de posse de armas restabelecido. A maioria dos contemplados havia sido condenada por crimes graves em décadas passadas.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



