Trump planeja encontro com líder norte-coreano, mas irmã de Kim Jong-un nega contato
Presidente dos Estados Unidos espera que uma nova tentativa de diálogo o produza resultados melhores do que na primeira iniciativa, em 2018, sobre o programa nuclear da Coreia do Norte

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta quarta-feira (19), que pretende se reunir com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ainda este ano. Entretanto, a declaração acontece ao mesmo tempo que não há confirmação por poarte de Pyongyang. A irmã do líder norte-coreano, Kim Yo Jong, disse que "não tem conhecimento" de qualquer comunicação entre os dois — depois de Trump falar que Kim respondeu às recentes iniciativas de aproximação.
A declaração do republicano foi dada ao ser questionado sobre o assunto enquanto mostrava aos repórteres as reformas em andamento na Casa Branca, em Washington. "Sim, vou me reunir com ele", respondeu Trump.
Já em Pyongyang, um comunicado publicado nesta quarta-feira (19) indicou que Kim Yo Jong não tem "conhecimento a respeito". "Provavelmente seja o único assunto relacionado com a política externa da nossa alta direção do que não estou a par", disse a irmã de Kim Jong-un.
O posicionamento contrasta, ainda, afirmações feitas por Trump nos últimos dias. Na segunda-feira (17), questionado pela imprensa sobre a ausência de Kim às suas tentativas de diálogo desde que voltou à Casa Branca, o presidente americano destacou: "Como sabem que não respondeu?".
Diante da insistência dos repórteres, o presidente dos EUA afirmou: "Sim, respondeu" — acrescentando que as conversas haviam sido "muito positivas", mas sem fornecer detalhes.
Autoridades estadunidenses apontam que Trump vem pressionando assessores da Casa Branca para organizarum encontro presencial com Kim no outono. A possibilidade é que a reunião aconteça durante uma viagem de Trump à Ásia, em novembro, quando líderes mundiais estarão reunidos na China, para a cúpula Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
O objetivo de Donald Trump seria retomar a iniciativa diplomática que foi feita ao longo do primeiro mandato do republicano. Na época, o presidente norte-americano realizou três encontros com Kim Jong-un na tentativa de negociar o programa nuclear norte-coreano. Apesar disso, as negociações fracassaram e Pyongyang não abandonou o arsenal.
Segundo o republicano, a Coreia do Norte possui 57 armas nucleares. "Ele [Kim Jong-un] tem armas nucleares muito potentes. Nunca se devia permitir que isto acontecesse, mas conseguiu. Me entendo muito bem com ele", afirmou Donald Trump nesta quarta-feira (19).
Diplomacia nuclear
O presidente dos Estados Unidos espera que uma nova tentativa de diálogo produza resultados melhores do que na primeira iniciativa, em 2018. A informação é do Wall Street Journal. Na época, ele assinou com Kim Jong-un a "Declaração de Cingapura", um roteiro para as negociações sobre o programa nuclear.
No ano seguinte, os dois voltaram a se reunir em Hanói, no Vietnã, mas Trump abandonou a mesa depois que Kim se recusou a concordar com o desmantelamento de todo o programa nuclear norte-americano. Ainda em 2019, o então presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, promoveu uma última tentativa de reunir os três líderes na zona desmilitarizada entre as duas Coreias. Porém, o encontro não conseguiu romper o impasse.
Analistas e autoridades estadunidenses, entretanto, não esperam grandes avanços em uma nova reunião. Desde os três encontros anteriores com Trump, o arsenal nuclear e Kim se tornou maior e mais capaz de atingir os Estados Unidos. Especialistas indicam que Pyongyang tenha desenvolvido cerca de 60 ogivas e possua material físsil suficiente para produzir até 90.
APesar do desenvolvimento do arsenal norte-coreano, os Estados Unidos não reconhecem formalmente a Coreia do Norte como uma potência nuclear. Kim, por sua vez, busca que Washington abandone a exigência de desnuclearização e aceite o país como um Estado detentor de armas nucleares.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



