A demissão da diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Susan Monarez, nesta quarta-feira (27), gerou uma crise na principal agência de saúde pública dos Estados Unidos e desencadeou uma série de renúncias de funcionários do alto escalão.
Segundo aliados, Monarez deixou o cargo por resistir a mudanças na política de vacinas defendidas pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., por considerá-las contrárias as evidências científicas e possivelmente ilegais. Entre os que pediram demissão após sua saída estão Debra Houry, diretora médica, Demetre Daskalakis, chefe do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias e Daniel Jernigan, diretor do Centro Nacional de Doenças Infecciosas Emergentes e Zoonóticas.
Em cartas obtidas pela Reuters, os dirigentes citaram desinformação sobre vacinas, ataques à ciência, politização da saúde pública e cortes no orçamento como motivos das renúncias.
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Ainda conforme a reportagem, a Casa Branca confirmou a demissão de Monarez, alegando que ela não estava alinhada ao plano de Trump e Kennedy para “fazer a América saudável novamente”. Advogados da ex-diretora contestam a legalidade da decisão e afirmam que ela continua sendo a chefe do CDC.
Desde que assumiu em janeiro, Kennedy promoveu mudanças na política de vacinas, dissolvendo o comitê consultivo de especialistas e substituindo-o por assessores de confiança e militantes antivacina, enfraquecendo a autonomia técnica do CDC. Esta semana, a FDA restringiu a elegibilidade para novas doses de reforço contra a Covid-19.
A Casa Branca anunciou que Jim O’Neill, secretário-adjunto do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), será o substituto de Monarez.