'Covardes', diz Trump sobre aliados da Otan em relação ao Estreito de Ormuz
Se contradizendo, presidente dos EUA havia dito anteriormente que não precisava de ajuda dos países-membros

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou, nesta sexta-feira (20), os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como "covardes" por não atenderem à exigência do republicano de ajuda militar contra o Irã para controlar a rota marítima do Estreito de Ormuz.
A declaração foi divulgada na própria rede social de Trump, a Truth Social: "Covardes, e nós lembraremos!", escreveu o presidente norte-americano. No texto, ele ainda disse que os aliados dos Estdos Unidos "não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, uma manobra militar simples que é a única razão dos altos preços do petróleo. Tão fácil de executar para eles com tão pouco risco", acrescentou.
Indo contra à própria fala, o republicano assegurou nesta semana, em diferentes declarações, que os Estados Unidos não precisam de ajuda militar de ninguém para liberar o Estreito de Ormuz. Mas, ao mesmo tempo, ele exige que os aliados contribuam para o esforço, já que a alata dos preços de petróleo, causada pelo bloqueio da passagem marítima, afeta o mundo todo.
O Irã decidiu fechar a passagem marítima em represália aos ataques dos Estados Unidos e de Israel no país, que acontecem desde 28 de fevereiro. A medida aumentou os problemas logísticos e de abastecimento, elevando o preço do barril de petróleo bruto para mais de U$110 (cerca de R$573). Para se ter uma noção, em tempos normais, o 20% do petróleo e do Gás Natural Liquefeito (GNL) consumidos a nível mundial passam pelo Estreito de Ormuz.
Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Países Baixos se reuniram e disseram em um comunicado, divulgado na última quinta-feira (19), que estão dispostos a "contribuir para os esforços apropriados" a fim de garantir a livre passagem localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificada como a principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Os países, entretanto, não se comprometeram formalmente com nenhuma missão na passagem marítima, enquanto a Itália, por exemplo, descarta qualquer operação sem uma trégua na guerra do Oriente Médio. Nenhum dos países aos quais Trump pediu ajuda foi consultado antes da missão estadunidense-israelense começar há pouco mais de três semanas.
Gasolina nos EUA chega ao maior preço desde 2023
O conflito no Oriente Médio está interferindo diretamente na alta dos preços de petróleo e do gás, inclusive nos EUA. O aumento foi influenciado, principalmente, pelo fechamento do Estreito de Ormuz, ataques a instalações petrolíferas iranianas no último fim de semana e depois que a Casa Branca sugeriu que a guerra poderia durar semanas.
O preço da gasolina dos Estados Unidos subiu cerca de dois centavos de dólar, chegando a US$ 3,72 por galão em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.
O preço do diesel também subiu US$ 1,24, chegando a média de US$ 4,99 por galão, aproximando-se dos US$ 5 pela primeira vez desde dezembro de 2022. O valor já mobilizou algumas empresas de transporte rodoviário que já estão adicionando sobretaxas de combustível.
Já o petróleo Brent, referência global, subiu, na última segunda-feira (16) para US$ 103,50 o barril. Em contrapardia, o WTI, petróleo extraído principalmente pelos EUA, caiu 1% no mesmo dia, para cerca de US$ 98 o barril.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear.
Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Dias depois, em dois de março, o exército israelense também realizou ofensivas no Líbano, com bombardeios na Região Sul de Beirute. Logo depois, o país iniciou operações terrestres, sob a justificativas que os ataques são "limitadas e seletivas contra redutos-chave" do Hezbollah na região.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Recém-completadas três semanas de guerra, o Oriente Médio registrou mais de duas mil mortes. O Irã é o país com mais número de vítimas, contabilizando mais de 1.300 mortes segundo o embaixador do país nas Nações Unidas. Outros países também são alvos de bombardeios e ataques, como a Arábia Saudita com duas vítimas, Bahrein (2), Emirados Árabes Unidos (6), EUA (13), Iraque (32), Israel (15), Kuwait (6), Líbano (1.001), Omã (3).
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nessa terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



