Congresso do Peru destitui presidente interino José Jerí, sétimo chefe de Estado em 10 anos

Mandato, que tinha como missão garantir a transparência do pleito presidencial e legislativo marcado para abril, desmoronou sob o peso de investigações

Destituição de Jerí ocorre em plena crise institucional enfrentada pelo Peru

Em mais um capítulo da crônica de instabilidade política que assola o Peru, o Congresso Nacional aprovou, nesta terça-feira (17), a destituição do presidente interino José Jerí.

O mandatário foi removido do cargo por má conduta funcional e falta de idoneidade após a conclusão de um julgamento político relâmpago. Jerí, que havia assumido o Executivo em outubro de 2025 na condição de presidente do Legislativo, torna-se o sétimo chefe de Estado a ocupar o posto em apenas dez anos, evidenciando o desgaste institucional que o país enfrenta desde as eleições de 2016.

A queda de Jerí foi selada com o anúncio da vacância da Presidência da República feito por Fernando Rospigliosi, atual presidente interino do Congresso. O processo exigia um mínimo de 58 votos para a cassação. Com a decisão, o Peru viverá um cenário inédito em sua história recente: o país permanecerá sem um chefe de Estado por mais de 24 horas.

A lacuna de poder deve durar até as 18h locais desta quarta-feira (20h em Brasília), momento em que o Parlamento elegerá um novo chefe do Legislativo, que passará a exercer automaticamente a presidência interina até o dia 28 de julho.

O mandato de Jerí, que tinha como missão principal garantir a transparência do pleito presidencial e legislativo marcado para 12 de abril, desmoronou sob o peso de investigações do Ministério Público. O agora ex-presidente, de 39 anos, é alvo de dois inquéritos por suposto tráfico de influência.

Um deles envolve um encontro clandestino com um empresário chinês, ao qual Jerí teria comparecido encapuzado, enquanto o segundo apura irregularidades na contratação de nove mulheres em seu governo. Embora tenha declarado em rede nacional que possuía “suficiência moral” para o cargo e negado qualquer crime, sua popularidade despencou de 60% para 37% em poucos meses.

A crise que culminou na saída de Jerí é um reflexo do conflito permanente entre um Parlamento fortalecido e um Executivo fragilizado. Jerí havia substituído Dina Boluarte, também destituída em um processo célere por sua incapacidade de conter a criminalidade.

No debate parlamentar, as críticas foram transversais: o deputado de direita Jorge Marticorena admitiu que o Congresso errou ao elegê-lo, enquanto a esquerdista Susel Paredes apontou a falha do governo em reduzir os índices de homicídios e extorsões. Nas ruas, o clima era de hostilidade, com manifestantes acusando a gestão de degradar a dignidade do palácio presidencial.

Para analistas como Augusto Álvarez, a sucessão frenética de líderes — quatro apenas no atual lustro político — dificulta a busca por um substituto que goze de real legitimidade em um Congresso marcado por suspeitas de corrupção. A celeridade da censura também é lida como um movimento estratégico para as eleições de abril, que contam com um recorde de mais de 30 candidatos.

Líderes nas pesquisas, como Rafael López Aliaga, foram vozes ativas na pressão pela renúncia, associando Jerí a interesses de grupos estrangeiros. Agora, cabe ao Parlamento definir quem conduzirá o país pelos próximos meses em meio a um cenário de profunda fragmentação partidária.

Com informações de AFP

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