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Brexit completa 10 anos: veja mudanças no Reino Unido e chances de voltar à UE

Após uma década União Europeia não influencia diretamente as decições britânicas e muitos dos que votaram a favor se arrependem da decisão e passaram a considerar o movimento 'um erro'

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Processo político apoiado por uma pequena maioria de eleitores levou à saída do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte)
Processo político apoiado por uma pequena maioria de eleitores levou à saída do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) • Reprodução/Canva

Há dez anos o Brexit foi oficializado. O processo político apoiado por uma pequena maioria de eleitores levou à saída do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) da União Europeia (UE), sob a promessa de um futuro melhor. Os países integravam o bloco econômico e político desde 1973.

O termo 'Brexit' nasceu da junção das palavras inglesas Britain (Bretanha) e exit (saída). Na época em que foi proposto e aprovado, os apoiadores da saída do Reino Unido buscavam:

  • Maior autonomia para tomar decições políticas, comerciais e econômicas sem a interferência da UE;
  • Reduzir a imigração;
  • Ampliar o peso do Reino Unio no cenário geopolítico internacional.

É importante destacar que todo o processo durou quase cinco anos entre a votação inicial e a separação definitiva. Veja a linha do tempo: 

  • Junho de 2016: População decide pela saída (51,9%); queda do primeiro-ministro David Cameron.
  • Março de 2017: Ativação do Artigo 50, abrindo a janela de negociações de dois anos.
  • 2017 a 2019: Impasse no Parlamento britânico; renúncia de Theresa May e ascensão de Boris Johnson.
  • Janeiro de 2020: Aprovação do acordo e saída jurídica da União Europeia.
  • Fevereiro a dezembro de 2020: Manutenção temporária das regras econômicas enquanto se negociava o tratado definitivo.
  • Janeiro de 2021: Fim do período de transição. Novas regras alfandegárias, controle de imigração e autonomia total britânica entram em vigor.

Após uma década, a União Europeia não influencia diretamente as decições britânicas. Hoje, muitos dos que votaram pelo Brexit se arrependem da decisão e passaram a considerar a saída da UE "um erro", segundo pesquisas de opinião. Confira abaixo algumas das consequências enfrentadas pelo Reino Unido: 

Seis primeiros-ministros em 10 anos

O número 10 de Downing Street (residência e escritório do primeiro-ministro britânico) contabilizou seis primeiros-ministros ao longo desta década — e se prepara para recerber o sétimo, após o anúncio da renúncia de Keir Starmer na segunda-feira (22). A situação é incomum na história da política britânica.

Economia e fluxo migratório no Reino Unido

A saída do Reino Unido do maior mercado comum do mundo trouxe consequências importantes para a economia e comércio dos países. Segundo divulgado pela imprensa britânica, o Brexit resultou na perda de cerca de 4% a 8% do PIB e na redução de 15% do comércio com a União Europeia.

Em resumo, os últimos anos foram marcados por novas barreiras, inflação, escassez de mão de obra e uma burocracia que antes não existia. Além disso, ao contrário do que prometiam alguns defensores do Brexit, os fluxos migratórios não foram reduzidos:

  • Entre 2016 e 2019 o Reino Unido registrou o maior crescimento populacional desde a década de 1960;
  • Atingiu recorde de migração líquida (a diferença entre o número de pessoas que chegaram e o de pessoas que deixaram o país), com saldo positivo de 764 mil pessoas, segundo o Office for National Statistics (ONS).
Termo 'Brexit' nasceu da junção das palavras inglesas Britain (Bretanha) e exit (saída) • Reprodução/Canva
Termo 'Brexit' nasceu da junção das palavras inglesas Britain (Bretanha) e exit (saída) • Reprodução/Canva

Retorno à União Europeia?

Dez anos após o Brexit, grande parte dos britânicos não apenas considera que a saída da União Europeia foi um erro, como se mostra "aberta a reconstruir uma relação mais próxima com a Europa", como mostra a pesquisa mais recente do European Council on Foreign Relations.

O levantamento aponta que 52% dos entrevistados votariam hoje pela volta do Reino Unido à União Europeia. Entre aqueles que eram jovens demais para participar do referendo de 2016, esse percentual sobe para 70%. Além disso, 57% afirmam que deixar o bloco foi um erro.

Antes de renunciar, Keir Starmer tinha como proposta estreitar os laços com a União Europeia. O então primeiro-ministro chegou a iniciar uma reaproximação gradual com os antigos parceiros europeus — movimento que deve ser continuado pelo sucessor ainda não definido.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.