Eleições no Peru: sob alegações de fraude, Sánchez diz que não reconhecerá vitória de Fujimori
Com 99,71% das urnas apuradas, Fujimori está com 50,11% dos votos enquanto Sánchez aparece com 49,89%

O candidato à Presidência do Peru Roberto Sánchez afirmou, nesta terça-feira (23), que não reconhecerá o resultado do segundo turno das eleições do país que indicam, até o momento, a vitória da rival Keiko Fujimori. Com 99,71% das urnas apuradas, Fujimori está com 50,11% dos votos enquanto Sánchez aparece com 49,89%.
A declaração aconteceu durante uma coletiva de imprensa. Na ocasião, Sánchez, do partido Juntos por el Perú, afirmou que "há fraude no processo de contabilização dos votos. Ele convocou, ainda, novas marchas de protesto neste sábado (27).
"Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori", disse Sánchez, acusando o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) e a campanha de Fujimori de irregularidades nos votos realizados por eleitores no exterior.
As autoridades eleitorais vêm revisando as cédulas contestadas do segundo turno há pouco mais de duas semanas. Roberto Sánchez chegou a liderar a apuração durante dias, mas Fujimori voltou a passar à frente após o início da contabilização dos votos de cidadãos peruanos no exterior — com 63.206% dos votos. Já no Peru, Sánchez está ligeiramente à frente com 50.113%.
Recurso para anular votos
Na segunda-feira (22), Roberto Sánchez apresentou um novo recurso para anluar os votos dos peruanos residentes fora do país. Ele alega irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral no pleito realizado no exterior — o que representa cerca de 300 mil votos, que teriam favorecido Fujimori. Para Sánchez, se os votos do exterior forem excluídos, ele teria uma vantagem de aproximadamente 25 mil votos sobre a adversária.
O partido dele, Juntos por el Perú, havia entrado com uma ação judicial em 16 de junho, também exigindo a anulação de todos os votos no exterior. O processo indica que uma resolução de maio, que alterou a forma como as cédulas são processadas — deixando de ser digitalizadas nos consulados e passando a ser enviadas fisicamente a Lima em malas diplomáticas para serem contadas na capital — foi emitida em "flagrante violação do princípio da inviolabilidade eleitoral".
Perfil dos candidatos
Fujimori e Sánchez representam projetos políticos antagônicos. De um lado, Keiko Fujimori, de 51 anos, tenta chegar à Presidência pela quarta vez. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e busca se beneficiar do legado deixado pelo pai, lembrado por apoiadores pela estabilização econômica e pelo combate aos grupos insurgentes, mas também criticado por violações de direitos humanos e práticas autoritárias.
Do outro lado está Roberto Sánchez, de 57 anos, ex-ministro e congressista que se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022, em uma ação classificada pelas autoridades como tentativa de autogolpe.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



