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Eleições no Peru: partido de Sánchez pede anulação de votos no exterior

Vantagem de Keiko Fujimori acontece a partir de eleitores que votaram fora do país, com vantagem de quase 90 mil votos

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Roberto Sánchez durante conferência em 5 de junho de 2026
Roberto Sánchez durante conferência em 5 de junho de 2026 • ERNESTO BENAVIDES/AFP

O partido Juntos pelo Peru, do candidato à Presidência do país sul-americano Roberto Sánchez, entrou com uma ação judicial contra as autoridades eleitorais exigindo a anulação de todos os votos no exterior. A candidata do Força Popular, Keiko Fujimori, obteve uma vantagem de quase 90 mil votos nas eleições realizadas fora do país — margem que pode ser decisiva para a definição do (a) novo (a) líder do Peru.

A ação judicial foi protocolada na segunda-feira (16) no Superior Tribunal de Justiça de Lima, pelo advogado Walter Ayala, porta-voz do Juntos pelo Peru. O documento foi compartilhado com a CNN, que divulgou um trecho do texto solicitando a anulação de "todo o processo eleitoral realizado no exterior" no segundo turmo das eleições, realizado em 7 de junho. A medida inclui "a instalação, votação, contagem e apuração dos votos em todas as seções eleitorais" fora do Peru.

O processo indica que uma resolução de maio, que alterou a forma como as cédulas são processadas — deixando de ser digitalizadas nos consulados e passando a ser enviadas fisicamente a Lima em malas diplomáticas para serem contadas na capital — foi emitida em "flagrante violação do princípio da inviolabilidade eleitoral".

Ainda segundo a ação judicial, a mudança nas regras viola "os princípios da segurança jurídica, previsibilidade, cadeia de custódia, devido processo eleitoral, legalidade e imparcialidade". Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores do Peru afirmou, anteriormente, ter mantido uma "rigorosa cadeia de custódia" dos materiais eleitorais provenientes de 119 repartições consulares.

Com 99,05% dos votos apurados, a liderança de Fujimori — com 33 mil votos de vantagem — acontece, principalmente, com a vitória da candidata nos votos do exterior. Caso Fujimori seja eleita, será a primeira vez que um candidato, Sánchez, obtém a maioria de votos no Peru em um segundo turno, mas não vence a presidência. 

O partido Juntos pelo Peru já havia solicitado à Junta Nacional Eleitoral (JNE) a anulação dos resultados de seções eleitorais na Argentina e nos Estados Unidos, apontando supostas irregularidades e falhas. Porém, a JNE rejeitou os pedidos por terem sido apresentados após o prazo.

Roberto Sánchez rebateu a decisão da JNE, alegando que o atraso aconteceu devido as atas de apuração da Argentina terem chegado dias depois do previsto, criando uma “impossibilidade material” para os eleitores exercerem seus direitos. O candidato expressou indignação nas redes sociais:

"A exigência de zero controvérsias, a defesa do cidadão, do voto popular e do devido processo legal eleitoral são o mínimo necessário para alcançar legitimidade e confiança no povo", escreveu.

Perfil dos candidatos

Fujimori e Sánchez representam projetos políticos antagônicos. De um lado, Keiko Fujimori, de 51 anos, tenta chegar à Presidência pela quarta vez. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e busca se beneficiar do legado deixado pelo pai, lembrado por apoiadores pela estabilização econômica e pelo combate aos grupos insurgentes, mas também criticado por violações de direitos humanos e práticas autoritárias.

Do outro lado está Roberto Sánchez, de 57 anos, ex-ministro e congressista que se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022, em uma ação classificada pelas autoridades como tentativa de autogolpe.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.