Menino morre após passar nove anos em coma por infecção causada por queijo contaminado
Entenda os riscos de produtos com leite cru, reconheça sintomas de alerta e saiba quando buscar atendimento médico urgente para proteger crianças

Mattia Maestri tinha apenas quatro anos quando consumiu um pedaço de queijo de leite cru da marca Due Laghi. O alimento contaminado por Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC) desencadeou uma infecção grave que evoluiu para síndrome hemolítico-urêmica, complicação que pode provocar insuficiência renal e atinge principalmente crianças pequenas.
Após piorar rapidamente em 2017, o menino foi transferido para um hospital em Trento, no norte da Itália, onde permaneceu em estado vegetativo por nove anos até sua morte em agosto de 2026, aos 13 anos. O caso reacendeu o debate sobre segurança alimentar e os perigos de produtos não pasteurizados, especialmente para grupos vulneráveis como crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido.
O que é a bactéria E. coli produtora de toxina Shiga
A Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC) é uma bactéria altamente infecciosa. Segundo a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA), a ingestão de poucas unidades da bactéria já é suficiente para causar doença.
A transmissão ocorre principalmente através de alimentos contaminados. Vegetais crus mal higienizados, carne malcozida e produtos feitos com leite cru estão entre as principais fontes de infecção.
Além da via alimentar, a contaminação pode acontecer pelo contato com animais infectados, água contaminada ou pessoas doentes. A facilidade de transmissão torna a prevenção essencial, especialmente em ambientes com crianças.
Síndrome hemolítico-urêmica: a complicação grave em crianças
A síndrome hemolítico-urêmica (SHU) representa a complicação mais grave da infecção por STEC. Essa condição pode provocar insuficiência renal e atinge com maior frequência crianças pequenas.
No caso de Mattia, a síndrome se desenvolveu rapidamente após o consumo do queijo contaminado. A evolução acelerada exigiu transferência para um hospital especializado, mas o menino entrou em estado vegetativo e permaneceu dependente de cuidados permanentes.
Crianças menores de cinco anos constituem o grupo de maior risco para desenvolver a SHU. Idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido também enfrentam vulnerabilidade aumentada.
Produtos de leite cru: o risco que levou à condenação dos produtores
O queijo consumido por Mattia era feito com leite cru, ou seja, não pasteurizado. Produtos desse tipo concentram maior risco de contaminação por bactérias perigosas.
Após investigações, dois responsáveis pelo laticínio Due Laghi foram condenados por causar lesões corporais graves. A disputa judicial se estendeu por anos até a sentença final.
A pasteurização é o processo térmico que elimina microrganismos patogênicos do leite. Produtos não pasteurizados podem abrigar STEC e outras bactérias causadoras de doenças graves, especialmente perigosas para crianças.
Como reconhecer os sintomas de infecção por E. coli
Os sintomas da infecção por STEC incluem vômitos, febre, cólicas abdominais e diarreia. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) estabelece sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata.
Diarreia com sangue representa um sinal crítico de gravidade. Vômitos persistentes e sinais de desidratação também indicam necessidade de atendimento urgente.
A progressão para síndrome hemolítico-urêmica pode acontecer rapidamente, especialmente em crianças pequenas. O reconhecimento precoce dos sintomas e a busca imediata por serviços de saúde podem fazer diferença no desfecho do caso.
Alimentos de risco e medidas de prevenção
Além dos laticínios não pasteurizados, vegetais crus mal higienizados e carne malcozida são vias comuns de transmissão da STEC. A higienização adequada e o cozimento completo dos alimentos reduzem significativamente o risco.
O contato com animais infectados ou água contaminada também pode transmitir a bactéria. A higiene das mãos após manipular animais e antes das refeições constitui medida preventiva básica.
Pessoas doentes podem transmitir a infecção. Evitar o contato próximo com indivíduos sintomáticos e manter cuidados de higiene em ambientes compartilhados protege grupos vulneráveis.
O legado de Giovanni Battista Maestri na conscientização
Após o adoecimento do filho, Giovanni Battista Maestri fundou um grupo de defesa do consumidor. O pai de Mattia dedicou anos alertando famílias sobre os riscos associados ao consumo de laticínios não pasteurizados.
Giovanni publicou um livro para compartilhar a experiência da família e ampliar a conscientização sobre segurança alimentar. A obra se tornou ferramenta educativa para prevenir tragédias semelhantes.
No funeral de Mattia, realizado em Coredo no norte da Itália, Giovanni divulgou uma mensagem agradecendo o apoio recebido. "Nosso Mattia nos deixou e, em nome dele, agradeço a todos por contribuírem para tornar sua partida menos dolorosa", disse o pai.
Quando buscar atendimento médico urgente
O NHS orienta que casos específicos de sintomas gastrointestinais sejam avaliados imediatamente por um serviço de saúde. A orientação vale especialmente para crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.
Diarreia com sangue nunca deve ser ignorada. Esse sintoma indica possível infecção grave que pode evoluir para complicações renais.
Vômitos persistentes e sinais de desidratação como boca seca, redução da urina e sonolência excessiva também justificam busca imediata por atendimento. Em crianças pequenas, a desidratação pode se agravar rapidamente.
A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.



