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Brasil estuda reciprocidade contra vistos dos EUA após crise diplomática

Governo brasileiro avalia resposta após medida dos Estados Unidos e discute possível aplicação do princípio de reciprocidade nas regras de entrada de cidadãos

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Presidente Donald Trump e Presidente Lula (PT)
Os presidentes dos EUA, Donald Trump (esq.), e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (dir.) • AFP | Ricardo Stuckert / PR

O Palácio do Planalto, em Brasília, estuda adotar medidas de reciprocidade contra vistos americanos. A discussão ocorre após a revogação da autorização da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, que teve o visto revogado pelos EUA, e em meio a uma escalada de tensões que levou o governo brasileiro a fechar a porta para a concessão de agrément a um futuro embaixador americano.

O argumento do governo brasileiro é de que os Estados Unidos reclamam de dois casos, quando, nas contas do governo Lula, há pelo menos 16 vistos cancelados de autoridades brasileiras dos poderes Executivo e Judiciário.

No último dia 24, o Ministério das Relações Exteriores negou pedidos de visto a dois funcionários ligados ao Departamento de Estado, que o artigo original menciona como chefiado por Marco Rubio.

Fontes afirmam que os dois visitariam o Brasil com o intuito de "fazer ataque à confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral".

Em julho de 2025, ao anunciar a revogação de vistos contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e outros integrantes da corte, a gestão Trump publicou que a política de restrição de visto estava de acordo com a Lei de Imigração e Nacionalidade, que autoriza o Secretário de Estado, Marco Rubio, a tornar inadmissível qualquer estrangeiro cuja entrada no país "teria consequências adversas potencialmente graves para a política externa".

De lá para cá, a situação chegou a esfriar após uma aproximação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e voltou a escalar com a aplicação de novos tarifaços contra o Brasil e um contexto apontado por fontes do governo brasileiro como de interferência eleitoral do governo Trump no Brasil.

Isso faz com que o Brasil não veja condição política para uma negociação com os Estados Unidos antes de outubro, o que inclui o tarifaço. A visão do Planalto é de que o governo Trump também deve esperar o resultado para saber com quem irá negociar.

A rigor, mesmo que não tenha visto, a embaixadora Maria Luiza Viotti pode continuar em território americano. A diplomata, no entanto, teria problemas caso saísse do país e precisasse voltar. A decisão atual do governo brasileiro é mantê-la nos Estados Unidos.

O Brasil repudiou a revogação em nota oficial da Secretaria de Comunicação da Presidência da República publicada na noite desta terça-feira (4).

O comunicado, aprovado previamente pelo presidente Lula, teve o objetivo de dar a direção do governo diante dos fatos e mostrar, nas palavras de fontes ouvidas pela CNN, que os argumentos do lado americano "são falsos".

Diante da escalada do governo Trump, o Brasil fechou a porta para a possibilidade de conceder um agrément a Daniel Perez, que foi anunciado em julho para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

O deputado republicano ainda não teve aprovação do Senado americano.

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