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Rede social de Donald Trump começa a vender acesso antecipado a publicações

Ferramenta oferece acesso acelerado às publicações mais influentes da plataforma; democratas afirmaram que a medida se equipara à corrupção

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Na foto, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump
Na foto, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump • AFP

O Truth Social, rede social criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o lançamento do Truth API, um serviço pago que oferece acesso mais rápido às publicações mais influentes da plataforma, incluindo o republicano. A medida levantou suspeita de autridades e senadores democratas, que indicaram que a ferramenta ampliaria riscos legais, políticos e regulatórios.

A ferramenta passou a ser disponibilizada para clientes institucionais no último sábado (1º). Segundo a Trump Media & Technology Group (TMTG), controladora do Truth Social, a empresa já havia fechado contratos com clientes antes do lançamento do produto.

"O Truth API oferece um feed direto, licenciado e em tempo real das publicações com maior potencial de movimentar os mercados na plataforma, ao mesmo tempo em que avança nossa estratégia de monetizar ativos proprietários por meio de uma fonte de receita recorrente e com alta margem", afirmou o CEO interino da TMTG, Kevin McGurn, em comunicado divulgado no anúncio do serviço.

McGurn acrescentou esperar que o "Truth API se torne uma fonte relevante e contínua de receita para a empresa, gerando valor duradouro para os acionistas". A expectativa é que o serviço ofereça uma cobertura 24 horas por dia, sete dias por semana, além de incluir um arquivo histórico de publicações que remonta a 2022. Segundo a Reuters, a Trump Media chegou a discutir a cobrança de até US$ 100 mil por mês pelo acesso ao Truth API.

Medida levanta suspeita de democratas

A decisão de Donald Trump, de cobrar pelo acesso antecipado às suas publicações no Truth Social, que muitas vezes movimentam os mercados, gera preocupação após um ano e meio de um governo que testemunhou um enriquecimento sem precedentes do mandatário e de sua família.

Trump e seus familiares próximos acumularam bilhões de dólares em seu segundo mandato na Casa Branca por meio de negócios de criptomoedas, operações imobiliárias, transações na Bolsa de Valores e pagamentos derivados de ações judiciais.

Grande parte do que o presidente publica em sua rede são memes gerados por inteligência artificial e insultos a seus adversários políticos. Mas ele também utiliza a plataforma para anunciar grandes notícias, desde novidades sobre a guerra no Irã até tarifas comerciais, o que pode fazer com que os valores de mercado sofram quedas bruscas ou disparem instantaneamente.

O veículo Axios informou que as tarifas de assinatura mensal para o acesso antecipado variam entre 60.000 e 100.000 dólares (R$306,8 mil e R$ 510,5 mil, na cotação atual). Cinco empresas se registraram pouco depois do lançamento, segundo o Wall Street Journal.

A ideia por trás deste novo serviço pago é "dar aos investidores e algoritmos mais rápidos uma vantagem de uma fração de segundo", disse à AFP Art Hogan, analista da B. Riley Wealth Management.

Logo após o anúncio, democratas afirmaram que a medida se equipara à corrupção. Na terça-feira (4), o senador democrata Mark Warner anunciou nas redes sociais que apresentou um projeto de lei "para reprimir esta corrupção e garantir que todos os americanos tenham acesso livre e igualitário aos anúncios públicos dos funcionários do governo".

Na semana passada, Elizabeth Warren e Adam Schiff pediram que a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês), órgão que regula os mercados de ações dos Estados Unidos, abra uma investigação sobre o que classificaram como "abuso escandaloso do cargo presidencial para benefício pessoal".

Influência de publicações nos mercados

Horas após o lançamento do novo serviço, Trump ofereceu uma demonstração de como as palavras dele no Truth Social podem movimentar os mercados: quando anunciou no sábado que cancelava um plano para atacar o Irã, o preço do petróleo caiu.

Ann Lipton, professora de Direito na Universidade do Colorado, afirmou, à AFP, que o presidente sabe o valor de suas declarações e que, quanto mais agitar os mercados, mais valioso se torna seu novo serviço.

"Isto dá a Trump um incentivo para publicar coisas que mexam com os mercados, independentemente desse tipo de revelação atender ou não ao interesse do povo americano", observou Lipton.

No mês passado, ele defendeu os cerca de 1,2 bilhão de dólares (R$6,1 bilhão) que ganhou em negócios com criptomoedas em 2025, argumentando que "todo mundo está obtendo lucros" com o mercado de ações desde que retornou à Casa Branca.

Entretanto, uma pesquisa da CNN/SSRS, publicada no fim de julho, indicou que 64% dos entrevistados consideram que o mandatário foi "longe demais" na busca de interesses financeiros pessoais enquanto comanda o país.

Segundo a Forbes, o patrimônio líquido de Trump disparou de 2,3 bilhões (R$ 11,7 bilhões) para 6,5 bilhões de dólares (R$ 33,2 bilhões) desde 2024, quando ele venceu as eleições contra Kamala Harris.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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