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Presidente eleito de extrema-direita celebra início de 'nova era' na Colômbia

Pleito, no entanto, foi recebido com fortes protestos e queima de bandeiras americanas em cidades como Bogotá e Cali

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Abelardo de la Espriella
Abelardo de la Espriella • Raul ARBOLEDA/AFP

Em uma das disputas mais acirradas da história republicana da Colômbia, o advogado e outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella foi eleito presidente no último domingo (21). Conhecido pelo apelido de "O Tigre", o candidato de 47 anos obteve 49,6% dos votos no segundo turno, derrotando por uma margem mínima o senador governista Iván Cepeda (48,7%), aliado do atual presidente Gustavo Petro.

A vitória de Espriella encerra o primeiro ciclo de quatro anos da esquerda no poder e projeta uma guinada radical na política de segurança e economia do maior produtor mundial de cocaína. O presidente eleito, que governará até 2030, celebrou o resultado na cidade caribenha de Barranquilla, discursando atrás de um vidro à prova de balas após chegar em um veículo similar ao papamóvel. O pleito, no entanto, foi recebido com fortes protestos e queima de bandeiras americanas em cidades como Bogotá e Cali, além de uma contestação formal do resultado por parte da oposição.

  • Resultado apertado e contestação: a apuração preliminar oficial garantiu a vitória de Espriella com menos de um ponto percentual de diferença. O candidato derrotado, Iván Cepeda — um defensor dos direitos humanos de 63 anos indicado por Petro —, declarou que não aceitará o resultado antes da apuração final e pretende contestar 33.000 urnas na tentativa de reverter o cenário.
  • Perfil e controvérsias do eleito: com dupla cidadania (colombiana e americana), Espriella não tem experiência política anterior e fez fortuna como advogado, tendo defendido paramilitares e narcotraficantes. Ele acumula críticas por declarações machistas e homofóbicas, mas conquistou o eleitorado cansado da insegurança, encarnando também um modelo aspiracional de empresário de luxo que exibe talentos como cantor em entrevistas.
  • Fim da "Paz Total" e ofensiva militar: o novo presidente se posiciona como inimigo ferrenho da esquerda e promete enterrar a política de diálogos e acordos de paz com grupos armados promovida por Gustavo Petro. Em entrevista, Espriella afirmou que buscará apoio dos EUA e de Israel para combater a guerrilha por meio de bombardeios e fumigação de plantações de drogas, o que especialistas alertam que pode intensificar a pior onda de violência da última década na Colômbia.
  • Alinhamento internacional e geopolítica: com um discurso focado no apoio às forças de segurança, empresários e alinhamento estrito com Washington, Espriella assemelha-se a líderes regionais como Nayib Bukele (El Salvador) e Javier Milei (Argentina). Ele já recebeu felicitações de governos de direita do Chile, Equador e Argentina, além de um forte endosso do ex-presidente americano Donald Trump, que celebrou a vitória na rede Truth Social após uma ligação telefônica.
  • Propostas de choque econômico e social: o plano de governo de "O Tigre" prevê medidas drásticas para o país, que enfrenta altos índices de desigualdade social. Suas propostas incluem o corte de 40% da estrutura do Estado, a dolarização da economia, a defesa do porte de armas, a construção de megapresídios, o incentivo ao fracking para exploração de petróleo e a revisão da permanência da Colômbia em órgãos internacionais como a ONU e a OEA.
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