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Brasileira é condenada à prisão perpétua na Itália por planejar e matar o marido; entenda

Adilma Pereira Carneiro foi considerada culpada pelo assassinato de Fabio Ravasio, morto atropelado enquanto andava de bicicleta; defesa afirma que vai recorrer da sentença

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Adilma Pereira Carneiro e Fabio Ravasio • Reprodução | Ansa

A brasileira Adilma Pereira Carneiro foi condenada à prisão perpétua na Itália pelo assassinato do companheiro, o italiano Fabio Ravasio. A sentença foi proferida pelo Tribunal de Busto Arsizio, na região da Lombardia, e encerra, em primeira instância, um caso que começou a ser tratado como acidente de trânsito e acabou revelando, segundo a acusação, um plano elaborado pela mulher para matar a vítima.

Conhecida pela imprensa italiana como “louva-a-deus de Parabiago”, Adilma foi considerada a principal responsável pela morte de Fabio Ravasio, atropelado em 9 de agosto de 2024 enquanto andava de bicicleta em Parabiago, na província de Milão. Segundo o Ministério Público italiano, o homicídio teria sido planejado durante meses por razões financeiras. O patrimônio da vítima era estimado em aproximadamente 3 milhões de euros, entre imóveis e um estabelecimento comercial.

A defesa da brasileira, porém, contesta a condenação. Segundo o advogado Mattia Fontanesi, Adilma ficou surpresa com a sentença porque sempre sustentou sua inocência. A defesa já recebeu autorização para recorrer à segunda instância e aguardava a fundamentação da decisão. Adilma não estava presente no tribunal no momento da leitura do veredicto.

Atropelamento inicialmente tratado como acidente

Fabio Ravasio tinha 52 anos quando morreu. Na noite de 9 de agosto de 2024, ele saiu de bicicleta por uma estrada provincial em Parabiago. Por volta das 19h50, foi atingido por um carro que invadiu a faixa contrária. O impacto provocou ferimentos graves e Fabio foi levado ao hospital, mas não resistiu.

Inicialmente, o episódio foi tratado apenas como um acidente de trânsito. A investigação, entretanto, mudou completamente a interpretação do caso. Para o Ministério Público, o atropelamento havia sido proposital e fazia parte de um plano para eliminar a vítima e permitir que Adilma tivesse acesso ao patrimônio do companheiro. A acusação sustentou que o planejamento havia começado meses antes e envolvido outras pessoas, cada uma com uma função específica na execução do crime.

Como funcionaria o plano, segundo a acusação

A investigação italiana apontou Adilma como a suposta idealizadora e mandante do homicídio. De acordo com depoimentos apresentados durante o processo, ela teria reunido os envolvidos e definido uma estratégia para que a morte parecesse um acidente. Entre os acusados estava Igor Benedito, filho da brasileira, apontado como o motorista do veículo que atingiu Fábio.

Também respondiam ao processo Marcello Trifone, marido oficial de Adilma; Massimo Ferretti, ex-amante da brasileira; Fabio Oliva, Mirko Piazza, Fabio Lavezzo e Mohamed Daibi. A dinâmica descrita pela investigação distribuía funções entre os integrantes do grupo. Piazza teria ficado responsável por avisar sobre a aproximação da vítima.

Daibi teria simulado um mal-estar para interferir no trânsito e facilitar a fuga. Oliva, que trabalhava como mecânico, teria feito reparos no automóvel usado na ação. O veículo que atingiu a vítima levava Adilma, Trifone, Ferretti, Benedito e Lavezzo.

Cúmplices apontaram Adilma como mandante

Ao longo do processo, diferentes acusados apresentaram relatos que colocaram Adilma no centro da trama. Em abril de 2025, Fabio Oliva e Mirko Piazza afirmaram perante o tribunal que a brasileira teria sido responsável por idealizar o assassinato. Piazza declarou que Adilma havia dito que queria matar o companheiro e que o crime deveria ser apresentado como um acidente.

Oliva, por sua vez, admitiu ter feito reparos no carro utilizado no crime, embora tenha afirmado que inicialmente não sabia para qual finalidade o veículo seria usado. Posteriormente, reconheceu ter mentido em depoimento anterior ao Ministério Público.

Outro relato veio de Igor Benedito. Em julho de 2025, o filho de Adilma admitiu perante o tribunal que dirigia o carro que atropelou Fabio Ravasio. Ele afirmou, porém, que teria aceitado participar depois de ser pressionado pela própria mãe e por Massimo Ferretti. Benedito também mudou sua versão anterior e passou a apontar os dois como responsáveis pela idealização do crime.

Marido de Adilma

Marcello Trifone, marido oficial da brasileira, também era réu no processo. Uma perícia psiquiátrica apresentada à Justiça italiana em abril de 2025 concluiu que ele tinha capacidade de compreender seus atos e participar conscientemente do processo.

O exame contrariou uma alegação da defesa de que Trifone sofreria de um grave transtorno de personalidade que comprometeria sua capacidade de entendimento e vontade no momento do crime. Segundo a reconstrução apresentada pela investigação, Marcello também estava no carro utilizado para atropelar Fábio.

Filha também foi presa

O caso ganhou novos desdobramentos em 2025, quando Ariane Pereira Bezerra da Silva, filha de Adilma, foi presa na Itália sob suspeita de envolvimento no homicídio. Inicialmente, Ariane era investigada por falso testemunho. Posteriormente, o Ministério Público passou a suspeitar que ela pudesse ter conhecimento do plano contra Ravasio. A jovem negou qualquer participação no assassinato e afirmou, por meio da defesa, que não tinha responsabilidade pelo crime.

A Justiça italiana manteve Ariane presa, citando, entre outros motivos, risco de fuga. Segundo a acusação, mensagens trocadas entre mãe e filha indicariam possível cumplicidade, enquanto um dos réus, Massimo Ferretti, teria citado a presença de Ariane em uma reunião relacionada ao planejamento do homicídio.

Em setembro de 2025, Adilma chegou a ser colocada em isolamento no presídio de San Vittore, em Milão, depois de tentar enviar uma carta à filha. Segundo a ANSA, ela estava proibida de manter contato com terceiros e teria tentado se comunicar com Ariane mesmo sob essa restrição.

Todos os réus condenados

Com a sentença de junho de 2026, os oito acusados foram considerados culpados. Além da prisão perpétua de Adilma, outras penas foram aplicadas pelo tribunal. Igor Benedito foi condenado a 23 anos de prisão, enquanto Massimo Ferretti recebeu 24 anos. Fabio Oliva e Mirko Piazza foram condenados a 14 anos cada um. Mohamed Daibi recebeu 22 anos. Marcello Trifone e Fabio Lavezzo também foram condenados à prisão perpétua. Os advogados da família de Fabio Ravasio afirmaram que consideraram a decisão justa e destacaram que todos os oito réus foram considerados culpados.

Adilma nega participação

Apesar da condenação, Adilma continua afirmando que é inocente. Após a decisão, o advogado Mattia Fontanesi disse que conversou com a cliente e que ela ficou surpresa com a pena de prisão perpétua. Segundo ele, a defesa acredita na inocência da brasileira e pretende recorrer a decisão da Justiça. O recurso será analisado pela segunda instância da Justiça italiana depois que forem divulgadas as razões completas da sentença.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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