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Reino Unido reage ao pronunciamento de Javier Milei sobre a questão das Ilhas Malvinas

Presidente da Argentina anuniciou construção de base militar na Terra do Fogo e sanções econômicas contra empresas estrangeiras que operam no arquipélago localizado no extremo sul da América do Sul

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Imagem de satélite das ilhas Malvinas • AFP

O Reino Unido reiterou, nesta sexta-feira (4), que as ilhas Malvinas — território que a Argentina reivindica para si — são britânicas, acrescentando que a afirmação "é a opinião da maioria esmagadora" dos habitantes local. A declaração aconteceu após um pronunciamento de Javier Milei, na quinta (3), anunciando o endurecimento das sanções contra empresas estrangeiras que operam no arquipélago.

"As Ilhas Malvinas são britânicas porque os habitantes das Ilhas Malvinas escolhem ser britânicos", afirmou o ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, nas redes sociais. "A declaração de Milei nos diz mais sobre a política doméstica na Argentina do que sobre as Ilhas Falkland", escreveu.

Durante um pronunciamento na véspera, o presidente argentino, Javier Milei, anunciou a construção de uma base naval na Terra do Fogo, um arquipélago no extremo sul da América do Sul, dividido entre a Argentina e o Chile. O líder também compartilhou que irá impor sanções econômicas contra empresas petroleiras das Malvinas que têm um projeto de exploração na região.

Milei citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que Washington está "reavaliando" a posição do governo republicano sobre a soberania das Malvinas. Ainda na quinta-feira (3), Javier Milei divulgou, nas redes sociais, uma foto de satélite do território com a legenda "estamos de olho".

Ilhas Malvinas

• Juan Mabromata/AFP
• Juan Mabromata/AFP

A disputa territorial pelas Ilhas Malvinas (chamadas de Falkland Islands pelo Reino Unido) gira em torno da soberania de um arquipélago no Atlântico Sul. Embora o Reino Unido administre a região desde 1833, a Argentina reivindica o território como parte inalienável de sua soberania.

Um dos principais motivos pelos quais o país sul-americano reivindica a posse é justamente a proximidade — as ilhas ficam a cerca de 500 quilômetros de distância da costa da Patagônia e cerca de 13 mil quilômetros do Reino Unido.

Os argentinos argumentam, ainda, que quem primeiro ocupou as ilhas foram os espanhóis que governavam o Vice-Reino do Rio da Prata. A região, em 1810, tornou-se independente da metrópole da Espanha para virar a Argentina.

Na década de 1820, já independente, a Argentina enviou autoridades para tomar posse das ilhas. Em 1829, nomeou um governador para as Malvinas. Já em 1833, os ingleses expulsaram as autoridades argentinas das ilhas.

Por outro lado, o Reino Unido afirma que a sua reivindicação é de 1765, anterior à década de 1820, e que enviou um navio de guerra para as ilhas em 1833 para expulsar as forças argentinas que tinham tentado tomar posse das ilhas.

Mais de 100 anos depois, em 1982, sob a ditadura os argentinos lançaram a "Operação Rosário" na tentativa de recuperar as ilhas com forças militares — iniciando a Guerra das Malvinas. O conflito foi vencido por dois meses, com 649 soldados argentinos, 255 soldados britânicos e 3 moradores da ilha mortos.

Em 2013, morradores das Malvidas votaram em um plebiscito para decidir o destino da ilha. Na ocasião, optaram por permanecer como um território ultramarino do Reino Unido.

A disputa chegou a ser discutida até no futebol. Na Copa do Mundo 2026, após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra nas semifinais, atletas do país sul-americano exibiram uma faixa sobre as Ilhas Malvinas — com os dizeres "As Malvinas são Argentinas".

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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