Ataque dos EUA é como se ‘a capela sistina fosse bombardeada’, diz professor

Especialista em Direito Internacional explica em comparação com realidade cristã a dimensão da ofensiva americana

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Os Estados Unidos e Israel, em conjunto, atacaram o prédio do órgão responsável pela eleição do novo aiatolá, que será o líder supremo do Irã, segundo a imprensa local nessa terça-feira (3). O último aiatolá, Ali Khamenei, foi morto após ataques realizados no último sábado (28)

Segundo o professor de Teoria do Estado e Direito Internacional do Centro Universitário Antônio Carlos (Unipac), Ricardo Souza, é como “se tivesse acontecido um ataque contra o papa e quando fosse reunir o conclave para eleger o próximo papa, o prédio na capela sistina fosse bombardeado”.

O Irã vive um regime teocrático xiita, uma das correntes do islamismo, onde o aiatolá tem poder religioso, político e militar. “É importante frisar que xiitas são uma parte dos muçulmanos. É a segunda maior corrente religiosa em termos de quantidade de pessoas, quase 20% dos muçulmanos, sendo que o islamismo está entre a as três maiores religiões do mundo”, explica o professor.

Entretanto, apesar das críticas possíveis de realizar ao regime iraniano, Ricardo alerta sobre a ilegalidade das ações movidas pelos Estados Unidos tanto no âmbito do direito internacional, quanto em relação à legislação do país americano.

Esse conflito é ilegal do ponto de vista do direito internacional porque fere princípios basilares, como da não agressão, da intervenção em assuntos internos e da autonomia dos povos. O regime iraniano existe há décadas e pode ser entendido como um modelo democrático, eles têm eleição para presidente que funciona regularmente”, elucida.

“É importante frisar que o secretário de defesa, Marco Rúbio, e outros membros do governo, Donald Trump, prestaram esclarecimentos ontem ao Senado norte-americano, exatamente por ter sido um movimento sem autorização do do Congresso, o que seria um elemento fundamental para que isso pudesse acontecer”, complementa sobre a legalidade da ação nos EUA.

Para Ricardo Souza, o ataque coordenado pelos Estados Unidos e Israel pode ser considerado um crime de guerra. “Várias justificativas foram apresentadas. Primeira de que eles estariam com armamento nuclear ou desenvolvendo. Só que isso gera um problema, porque, no ano passado, Donald Trump disse que obliterou o sistema de produção de desenvolvimento atômico do Irã. A segunda alegação era de apoio a grupos terroristas e de questões relacionadas ao petróleo”, inicia.

“Poderia ser considerado sim crime de guerra por conta desses fatos, do princípio da não agressão. Não há legítima defesa aqui. Foi uma agressão unilateral e em meio a negociações. Além disso, várias situações precisam ser esclarecidas, como por exemplo, o bombardeio de uma escola com 160 professoras e meninas e várias outras situações”, conclui o professor.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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