A morte do aiatolá Ali Khamenei,
A avaliação é do professor de Relações Internacionais da PUC Minas e especialista em Oriente Médio, Danny Zahreddine, que concedeu entrevista ao Jornal da Itatiaia na manhã deste domingo (1º).
“O Irã vive nas últimas 24 horas momentos de forte pressão. O governo já trabalhava com a possibilidade de assassinato do líder Khamenei. A morte dele gera impacto duplo, uma parcela pequena vai comemorar, mas a maior parte da população sente a morte dessa liderança e cria uma sensação de unidade nacional”, diz Zahreddine
O professor explica que o ataque teve como objetivo uma mudança no regime iraniano. “O que os americanos e Israel querem é uma troca de regime. Só que o Irã tem uma estrutura institucional muito consolidada”, continua.
“A morte de Khamenei não significa o fim do regime iraniano. Ao contrário, eles já esperavam que isso pudesse acontecer, tanto que existe uma linha sucessória. A própria não saída dele do palácio revela que ele soubesse que pudesse ser morto e ali permaneceu. Para esse regime cair, a população tem que se colocar contra esse regime”, avalia o professor.
História de Khamenei
O aiatolá Ali Khamenei, que tinha 86 anos, liderava o Irã desde 1989.
Embora os funcionários eleitos cuidassem das questões cotidianas, nenhuma decisão significativa, especialmente em relação aos Estados Unidos, avançava sem sua autorização.
O domínio de Khamenei sobre o intrincado sistema de governo teocrático do Irã, aliado a uma democracia restrita, assegurava que nenhum outro grupo pudesse desafiar suas decisões.
No entanto, o governo de Khamenei não foi sempre nesse formato. Inicialmente, ele era visto como fraco e um sucessor improvável para o falecido fundador da República Islâmica, o carismático Aiatolá Ruhollah Khomeini.
Por não ter obtido o status religioso de aiatolá quando foi nomeado Líder Supremo, Khamenei enfrentou desafios para exercer seu poder através da autoridade religiosa, como demandava o sistema teocrático.
Após um longo período sob a sombra de seu mentor, ele firmou sua posição formando um aparato de segurança exclusivamente para si.