‘Morte de Khamenei não significa o fim do regime iraniano’, avalia especialista

Professor Danny Zahreddine analisa cenário após ataque dos EUA e de Israel que matou aiatolá iraniano

Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei

A morte do aiatolá Ali Khamenei, após o ataque dos Estados Unidos e de Israel neste sábado (28), não representa o fim do regime teocrático do Irã e pode criar um sentimento de união na população em defesa do governo.

A avaliação é do professor de Relações Internacionais da PUC Minas e especialista em Oriente Médio, Danny Zahreddine, que concedeu entrevista ao Jornal da Itatiaia na manhã deste domingo (1º).

“O Irã vive nas últimas 24 horas momentos de forte pressão. O governo já trabalhava com a possibilidade de assassinato do líder Khamenei. A morte dele gera impacto duplo, uma parcela pequena vai comemorar, mas a maior parte da população sente a morte dessa liderança e cria uma sensação de unidade nacional”, diz Zahreddine

O professor explica que o ataque teve como objetivo uma mudança no regime iraniano. “O que os americanos e Israel querem é uma troca de regime. Só que o Irã tem uma estrutura institucional muito consolidada”, continua.

“A morte de Khamenei não significa o fim do regime iraniano. Ao contrário, eles já esperavam que isso pudesse acontecer, tanto que existe uma linha sucessória. A própria não saída dele do palácio revela que ele soubesse que pudesse ser morto e ali permaneceu. Para esse regime cair, a população tem que se colocar contra esse regime”, avalia o professor.

História de Khamenei

O aiatolá Ali Khamenei, que tinha 86 anos, liderava o Irã desde 1989. Ele exercia a máxima autoridade sobre todos os instrumentos do governo, as forças armadas e o sistema judiciário.

Embora os funcionários eleitos cuidassem das questões cotidianas, nenhuma decisão significativa, especialmente em relação aos Estados Unidos, avançava sem sua autorização.

O domínio de Khamenei sobre o intrincado sistema de governo teocrático do Irã, aliado a uma democracia restrita, assegurava que nenhum outro grupo pudesse desafiar suas decisões.

No entanto, o governo de Khamenei não foi sempre nesse formato. Inicialmente, ele era visto como fraco e um sucessor improvável para o falecido fundador da República Islâmica, o carismático Aiatolá Ruhollah Khomeini.

Por não ter obtido o status religioso de aiatolá quando foi nomeado Líder Supremo, Khamenei enfrentou desafios para exercer seu poder através da autoridade religiosa, como demandava o sistema teocrático.

Após um longo período sob a sombra de seu mentor, ele firmou sua posição formando um aparato de segurança exclusivamente para si.

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa ‘Chamada Geral’ na Itatiaia Ouro Preto.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV’s, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

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