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Artigo: In Deum, Franciscus

Papa Francisco, morto aos 88 anos, deixa legado de solidariedade

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Papa Francisco  • Reprodução/Vatican News

Qual o limite do amor? Não há limite, respondemos. E Cristo nos prova isso com sua Cruz Redentora. Na segunda-feira da Oitava da Páscoa, após o grande júbilo da Igreja, o Papa Francisco nos deixou serenamente, como passarinho que voa de volta para o ninho. Às cinco e dez da manhã do feriado de Tiradentes, tive o dever de anunciar sua morte pelos microfones da Itatiaia, assim como fiz com seu antecessor, Bento XVI, que faleceu na véspera de Ano-Novo, em 2022. A mensagem veio em meio às lágrimas, afinal, Francisco parecia-nos como um amigo íntimo, “do nosso quintal”. Perdemos alguém muito amado, ou melhor, entregamos à Deus um servo bom e fiel.

Como tenho dito nos últimos dias, o nome Francisco é sinônimo de revolução. Assim como no sonho do Papa Inocêncio, que viu o pequeno de Assis sustentar com seus braços as bases da Igreja que estavam ruindo, o primeiro papa latino-americano sustentou, com a força de Deus, o rebanho de mais de um bilhão e quinhentos milhões de católicos mundo afora. Sofrimentos, tristezas, incompreensões. Tudo isso fez parte de seu pontificado, marcado por uma abertura muito grande à novidade deste tempo presente. Com Francisco, a Igreja foi colocada “em órbita”, com “os pés da terra”, atenta às questões sociais e não mais fechada em seus palácios e catedrais. Um pobre para os pobres.

Progressista, comunista, esquerdista e outros adjetivos foram dados a ele ao longo de seus doze anos de pontificado. Nenhum deles lhe cabe, a meu ver. Francisco foi aquilo que todo papa deve ser. Pai. Simplesmente, pai. Recordo-me, com o coração de cheio de paz, do encontro de Francisco com um homem doente de câncer, com o corpo repleto de feridas. Ele o abraça contra o peito, e aquele homem se achega a ele. Séculos antes, Francisco já havia feito isso com leprosos. O cumprimento perfeito da graça de Deus! A humanidade ganhou, de presente, um novo pequeno de Assis. Só que, desta vez, com o sangue do “novo mundo”.

O amor insondável de Francisco pela humanidade o fez lutar contra as guerras e o ego dos poderosos. Trump, Putin e tantos outros líderes mundiais, preocupados com bombas e conflitos, colocando seus interesses frente à vida dos homens e mulheres. Francisco foi voz ativa e continuará o sendo, mesmo após sua morte. Certos homens nunca morrem. Permanecem vivos através do “encantamento” da saudade. Saudade essa que já atravessa o coração dos cristãos e todas as pessoas de boa vontade. Cristo disse, “quem não está contra nós, está ao nosso favor”.

Simples e sem medo de quebrar protocolos, repousará na Basílica de Santa Maria Maior. Sepultado na terra, em caixão simples, sem adornos. Quer voltar de onde veio, simples assim, bem pertinho da mãe. Ao invés de repousar no mausoléu dos papas, escolheu estar perto da Virgem Maria, local que frequentava assiduamente, e onde esteve após retornar da última internação, semanas atrás. Era um pedido. “Não me deixe sozinho, mãe. É chegada a hora...”

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Jornalista formado pela Universidade FUMEC com ênfase em Gestão de Crises Institucionais. Na Itatiaia desde 2017, cobriu grandes eventos ligados à Igreja Católica, como a beatificação da mineira Isabel Cristina Mrad Campos e a morte do Papa Emérito Bento XVI, em 2022. Além de repórter, é produtor e editor do programa "Café com Notícia"