Itatiaia

Crise humanitária: Cuba pode virar uma 'Gaza silenciosa', alertam especialistas da ONU

Ilha está submetida há mais de seis meses a um bloqueio de combustível imposto por Washington; sanções ferem o direito à vida e a dignidade humana, dizem enviados das Nações Unidas

Por
Um dos muitos apagões em Havana, Cuba. Foto de outubro de 2024
Um dos muitos apagões em Havana, Cuba. Foto de outubro de 2024 • Adalberto ROQUE / AFP

Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram, nesta quinta-feira (6), à comunidade internacional que atue com rapidez para evitar que Cuba se transforme em uma "Gaza silenciosa" como consequência das sanções impostas pelos Estados Unidos.

Washington, que mantém um embargo à ilha desde 1962, impôs em janeiro um bloqueio de petróleo a Cuba por ordem do presidente Donald Trump. Segundo os especialistas, o bloqueio petrolífero e outras sanções impostas pelos EUA agravaram a situação econômica, provocaram uma grave escassez e frequentes apagões em todo o país.

A energia, o transporte, a irrigação e os serviços básicos enfrentam problemas, uma situação que afeta de maneira desproporcional as mulheres, as crianças, as pessoas idosas e outros grupos vulneráveis. "As consequências humanitárias já estão se tornando uma crise, que ameaça os direitos à saúde, à vida, à alimentação e ao desenvolvimento", afirmaram os especialistas da ONU.

Para milhões de cubanos, conseguir água e alimentos, deslocar-se de um lugar a outro e até dormir virou um desafio cotidiano. Os especialistas destacaram que as agências da ONU presentes em Cuba advertiram sobre o crescente risco de insegurança alimentar, assim como sobre a escassez de medicamentos e outros produtos de primeira necessidade.

"Os alimentos nunca devem ser utilizados como instrumento de pressão política. Medidas que privam deliberadamente uma população dos meios para sobreviver atentam contra as garantias mais básicas do direito à vida e enfraquecem a própria essência da dignidade humana", afirmaram os especialistas.

"O governo dos Estados Unidos deve acabar com todas as ameaças e atos hostis contra a soberania de Cuba e revogar todas as medidas que impôs ao país e que são contrárias ao direito internacional", acrescentaram.

Crise humanitária em Cuba

• ADALBERTO ROQUE / AFP
• ADALBERTO ROQUE / AFP

Cuba está sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, três anos após a Revolução Cubana e a destituição do ditador Fulgêncio Batista. No entanto, o recente endurecimento das sanções econômicas promovidas pelos EUA provocaram uma profunda crise econômica no país.

Nos últimos seis anos, os 9,6 milhões de habitantes da ilha caribenha sofrem com apagões recorrentes, escassez de alimentos e medicamentos e uma inflação elevada, que pioraram em 2026 depois do bloqueio energético imposto por Washington.

Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

Belo Horizonte