Estados Unidos e Paraguai assinam acordo de cooperação nuclear civil
Washington já assinou acordos semelhantes com mais 25 países desde 1954, como Argentina, México e Brasil; pacto semelhante com a Arábia Saudita foi fechado recentemente

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez, assinaram um acordo de cooperação em energia nuclear, conhecido como "Acordo 123", nesta terça-feira (4), em Washington.
A seção 123 da Lei de Energia Atômica dos EUA (aprovada em 1954) autoriza o fornecimento de tecnologia nuclear civil para uso energético ou científico, desde que os países receptores cumpram os padrões da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Washington também garante o direito de monitorar o material nuclear para evitar o uso para fins militares.
Os EUA já assinaram acordos semelhantes com mais 25 países desde 1954, como Argentina, México e Brasil. Marco Rubio descreveu a intensificação das relações entre Washington e Assunção como "incrível" no último ano e meio, com o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
"O que buscamos é uma relação que não apenas continue crescendo, mas que faça parte de algo permanente" e não esteja sujeita a mudanças de governo, explicou Rubio durante a assinatura do documento no Departamento de Estado.
O governo conservador do Paraguai, no poder desde 2023, e a administração republicana de Trump intensificaram a cooperação em todos os níveis, como parte da onda da direita na América Latina.
Washington e Assunção também solicitaram uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a Nicarágua, que será realizada na quarta-feira (5) na sede da organização.
Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita
Semanas antes, o governo dos Estados Unidos também anunciou um acordo com a Arábia Saudita. O texto de cooperação nuclear civil que prevê prazos de 30 anos, permissão para enriquecimento de urânio e lucros multibilionários para empresas norte-americanas.
O texto foi assinado em 22 de julho, na Casa Branca. Veja detalhes do acordo:
- Duração e escopo: Validade de 30 anos para criar infraestrutura de energia nuclear civil e fornecer tecnologia americana.
- Enriquecimento: Permite, em tese, que a Arábia Saudita enriqueça urânio em seu próprio território.
- Ausência do "Padrão Ouro": O texto não exige que o país renuncie totalmente ao enriquecimento de urânio nem adote o Protocolo Adicional mais rigoroso da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
- Tramitação: O tratado foi enviado para análise do Congresso dos Estados Unidos, que tem o prazo de 90 dias para revisar a medida.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



