Inteligência Artificial falha, e 58 mil alunos precisam refazer prova em universidade
Fraudes foram identificadas após constatarem uma divergência estatística no histórico da instituição de ensino; processo seletivo será reaplicado presencialmente

A Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) anunciou que cerca de 58 mil alunos terão que refazer, presencialmente, a prova de ingresso à instituição de ensino. A medida acontece após o processo seletivo, que deveria ser um marco de modernização, ser cancelado depois de registrar falhas no sistema de supervisão por inteligência artificial.
O exame havia sido realizado entre o fim do mês de maio e o início de junho deste ano, reunindo quase 160 mil inscritos de forma inteiramente remota pela primeira vez. Com o objetivo de evitar fraudes, a instituição exigiu o uso do programa LockDown Browser — software que bloqueia o acesso a outros sites e aplicativos — combinado a um sistema de monitoramento por webcam alimentado por algoritmos de inteligência artificial, capaz de identificar movimentos suspeitos, presença de terceiros ou o uso de telefones e fones de ouvido.
Apesar das barreiras digitais, a divulgação dos resultados revelou uma divergência estatística no histórico da universidade:
- Entre 2021 e 2025, a média de alunos que alcançavam 110 ou mais pontos (em um total de 120 questões) era de apenas 0,9%. Mas, na edição deste ano, a proporção de candidatos com notas no topo da tabela saltou para 5,5%, um crescimento de mais de cinco vezes.
O crescimento discrepante alertou para a possibilidade de um colapso na segurança do teste e, por isso, a universidade nomeou uma comissão de especialistas para investigar a seleção. O grupo entendeu que, como medida para garantir a integridade do processo, é aplicar um novo "exame de controle" — desta vez totalmente presencial e supervisionado por fiscais humanos.
A medida vale tanto os estudantes que garantiram vaga direta pela prova remota, quanto os candidatos que atingiram a pontuação mínima necessária com base nos históricos desde 2021.
Falha na supervisão e em ferramentas tecnológicas
Uma reportagem publicada pelo New York Times revelou que, antes da aplicação dos exames, fóruns e redes sociais já compartilhavam orientações sobre como burlar o sistema, desde o posicionamento de monitores adicionais fora do campo da câmera até o uso de pontos eletrônicos escondidos pelo cabelo.
A própria Universidade Nacional Autônoma do México reconheceu que as ferramenteas tecnológicas falharam em conter métodos de burlar o processo seletivo. Como a prova consistia em questões de múltipla escolha, o sistema não conseguiu identificar padrões clássicos de plágio em texto escrito.
No próprio site da instituição de ensino, a reitoria pediu desculpas aos estudantes que terão de refazer o teste, mesmo sem terem burlado a supervisão, destacando que a medida é indispensável para restabelecer a igualdade de condições no acesso à universidade.
Os detalhes sobre o calendário do novo exame presencial ainda não foram divulgados.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



