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Acordo entre EUA e Irã: Trump afirma que navios já começam a circular no Estreito de Ormuz

Presidente dos Estados Unidos afirmou que embarcações 'estão começando a se movimentar' pelo canal; Teerã ainda não confirmou a informação

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Reabertura do Estreito de Ormuz está entre os pontos do esboço do acordo entre EUA e Irã
Reabertura do Estreito de Ormuz está entre os pontos do esboço do acordo entre EUA e Irã • MAPA/Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira (15), que navios já começaram a circular pelo Estreito de Ormuz, após o anúncio de acodo de paz entre EUA e Irã no domingo (14).

O republicano divulgou que a movimento acontece pela rota sul da passagem marítima — o trecho mais afastado do território iraniano, próximo de Omã e da Arábia Saudita. As declarações foram feitas em uma publicação na Truth Social. 

"Os navios estão começando a se movimentar, muitos carregados de petróleo, para fora do Estreito de Ormuz. Eles estão seguindo pela 'Rodovia' do Sul, que é totalmente segura e preservada. Existem outas rotas de navegação tambpem!!!", escreveu Donald Trump.

Até a última atualização desta reportagem, na tarde de segunda, o Irã — que controla, na prática a maior parte do trânsito por Ormuz — não havia confirmado a informação de que o trânsito na passagem marítima estava sendo liberado.

Em uma entrevista ao jornal The New York Times, Donald Trump afirmou, no domingo (14), que o acordo assinado entre Estados Unidos e Irã prevê que não haverá cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. Porém, o país persa afirmou nesta segunda (15) que passará a cobrar uma 'taxa por serviço' de navios que cruzarem a passagem marítima.

Na entrevista, o presidente dos Estados Unidos disse que o acordo prevê a isenção permanente de qualquer pedágio em Ormuz, como o Irã havia sugerido durante o conflito. Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano anunciou que haverá "taxas de serviço marítimo".

"Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar taxas de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.

Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz é classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo • NASA | AFP
Estreito de Ormuz é classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo • NASA | AFP

O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, ficou praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro.

A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente.

O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.

Acordo entre EUA e Irã

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz, neste domingo (14). A informação foi divulgada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif — país intermediador durante as negociações de cessar-fogo.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, viajou até o Paquistão para uma reunião com Shehbaz Sharif neste fim de semana.

Sharif publicou a notícia nas redes sociais. No texto, o primeiro-ministro informou, ainda, que o acordo deve ser assinado na próxima sexta-feira (19), em uma cerimônia oficial na Suíça.

"O acordo de paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã FOI ALCANÇADO. A cerimônia oficial de assinatura ocorrerá na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça", escreveu Shehbaz Sharif.

O presidente dos EUA também confirmou o acordo, em uma publicação na Truth Social. O republicano parabenizou a todos envolvidos no acordo de paz entre os países. Ele ainda divulgou a reabertura do Estreito de Ormuz e a remoção imediata do bloqueio naval dos EUA:

"O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! Autorizo ​​integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo ​​a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir! Presidente DONALD J. TRUMP", escreveu.

Na última sexta-feira (12), a CNN divulgou alguns pontos que estavam sendo negociados no acordo. O documento estipulava que, se assinado, daria início a um período 60 dias para "negociações ténicas". Saiba detalhes sobre o acordo aqui.

Os países estavam em guerra desde o dia 28 de fevereiro, data em que marca o início dos ataques comandados pelos Estados Unidos, com apoio de Israel, contra o Irã. Washington e Teerã estavam sob um frágil acordo de cessar-fogo, assinado em 8 de abril.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.